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IGCP volta ao mercado com leilões de OT a 9 e 19 anos até 1,25 mil milhões de euros

IGCP volta ao mercado com leilões de OT a 9 e 19 anos até 1,25 mil milhões de euros

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou a realização, no próximo dia 10 de junho, pelas 10h30, de dois leilões de Obrigações do Tesouro (OT), com maturidade em 12 de outubro de 2035 e 15 de fevereiro de 2045.  O montante indicativo global da operação situa-se entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros.
As duas linhas correspondem, respetivamente, a prazos remanescentes de cerca de 9 anos e 19 anos, permitindo ao Estado português continuar a assegurar financiamento de longo prazo num contexto em que os investidores permanecem atentos à evolução da inflação, da política monetária e dos riscos geopolíticos.
A nova operação surge após dois leilões realizados este ano pelo Tesouro português que evidenciaram uma procura sólida, embora acompanhada por alguma pressão ascendente sobre as taxas de juro.
No mais recente leilão, realizado a 12 de maio, Portugal colocou 1.426 milhões de euros em OT. A emissão incluiu uma linha a quatro anos, com vencimento em outubro de 2030, no montante de 671 milhões de euros e uma yield de 2,834%, e uma linha a dez anos, com vencimento em junho de 2036, no valor de 755 milhões de euros e uma yield de 3,452%. A procura superou duas vezes a oferta em ambas as maturidades, com rácios de cobertura de 2,07 e 2,05 vezes, respetivamente.
Na altura, Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, destacou que a subida da taxa da linha a dez anos face ao leilão de abril — de 3,304% para 3,452% — refletia um ajustamento das expectativas dos investidores relativamente às condições macroeconómicas e à perceção de risco no médio e longo prazo.
Já no leilão de 11 de março, o Tesouro captou 1.410 milhões de euros através de OT a sete e nove anos. A linha com vencimento em outubro de 2033 registou uma yield de 3,009% e uma procura equivalente a 1,92 vezes a oferta, enquanto a linha com vencimento em abril de 2035 apresentou uma yield de 3,175% e um rácio de cobertura de 1,89 vezes.
Segundo Filipe Silva, o agravamento das taxas observado nessa operação refletia o aumento da volatilidade nos mercados obrigacionistas e a revisão das expectativas dos investidores relativamente à inflação, num contexto marcado pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irão.
O leilão de 10 de junho permitirá assim aferir o apetite dos investidores por dívida portuguesa em prazos mais longos, especialmente na nova referência com vencimento em 2045. A comparação com a emissão de março poderá ser particularmente relevante para a linha de outubro de 2035, cuja maturidade é semelhante à OT abril de 2035 colocada há três meses com uma yield de 3,175%.
Os resultados serão também um indicador importante da evolução dos custos de financiamento do Estado português numa fase em que os mercados continuam a ajustar as suas expectativas quanto à trajetória futura das taxas de juro na Zona Euro.

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