Presidente da ApexBrasil: “Comércio com Europa pode aumentar até mil milhões num ano”
Quais são as expectativas para o comércio do Brasil com o acordo Mercosul-UE?
São muito boas. É um acordo histórico para o Brasil. Trabalhámos muitos anos com os europeus para conquistá-lo. E entrou em vigor justamente num momento em que alguns países caminham um pouco no sentido contrário, de aumentar tarifas, impor restrições, anular acordos, de questionamento de regras. Até de abandono do multilateralismo. O acordo representa outro caminho: negociação, parceria, entendimento, abertura de mercado e complementaridade.
Há um mês que temos mais de cinco mil produtos com tarifa zero. Fizemos um estudo e considerando apenas 543 desses cinco mil, prevemos que já no curto prazo, nos próximos 12 meses, o Brasil pode aumentar o fluxo de comércio com a Europa até mil milhões de dólares (861,1 milhões de euros).
Pode dar exemplos de produtos?
Uvas, peças para automóveis, motores elétricos, aeronaves…
Ultrapassaram 500 mercados internacionais no final de 2025. Quantos são hoje?
São 616 mercados, divididos por setores e parceiros comerciais.
E qual a próxima meta?
Não temos uma meta, mas vamos continuar a trabalhar para chegar aos 700 e abrir cada vez mais mercados. É um tema do Ministério da Agricultura. Mas isto mostra que o Brasil é um parceiro que merece ter o mercado aberto. Se conseguimos abrir mais de 600 mercados só neste último período, no terceiro mandato do Presidente Lula, é porque os países acham que o Brasil merece essa confiança, tem capacidade e, principalmente, produtos de qualidade.
Que mercado representa uma grande conquista?
Vou dar dois exemplos. O gergelim (sementes de sésamo) – a nossa exportação era praticamente zero e em dois anos e meio/três passámos para 200 milhões de dólares (172,2 milhões de euros). Principalmente porque abrimos o mercado chinês e também nalguns países dos árabes. O gergelim é produzido na quarta safra, então não lhe dávamos muita atenção. Mas abrimos esse mercado e conseguimos aproveitá-lo bem. Também abrimos o mercado de uvas frescas para a China, mas ainda não conseguimos aproveitar muito, por causa da logística. Levar a uva fresca do Brasil para a China é um desafio logístico imenso, então ainda estamos a trabalhar nele.
Qual é o papel ApexBrasil na diplomacia agroeconómica?
O nosso foco é o setor privado. Trabalhamos com a imagem do Brasil para melhorar o ambiente de negócios, e para que os empresários brasileiros levem uma boa imagem do país, porque ninguém faz negócio isoladamente; vendem a partir de um determinado país, então a forma de fazer negócio é muito importante. Por exemplo, aqui na Europa, a imagem do Brasil em 2020 diria que não era muito boa, por causa da desflorestação… Esta semana tivemos a notícia de que o Brasil atingiu um novo patamar no índice de desenvolvimento humano. Podemos dizer ao mundo que somos empresários do Brasil, que estamos a melhorar e que temos boas políticas internas.
Qual é a importância do escritório em Portugal para a vossa missão?
É a casa dos empresários brasileiros. Usamos o escritório para fortalecer e facilitar o relacionamento com os empresários de Portugal. Queremos que as oportunidades que Portugal tem e que o acordo Mercosul-UE estão a levar para o Brasil possam também ser aproveitadas por PME, por cooperativas e cooperativas da agricultura familiar. Ter um escritório aqui ajuda muito. Queremos que o trabalho seja cada vez mais intenso aqui, ter mais atividades, trazer mais empresas brasileiras, para que Portugal possa ser também um hub, uma porta de entrada para a Europa.
Preveem abrir algum escritório num outro país lusófono?
Temos uma estratégia diferenciada para África, onde queremos ter uma presença mais intensa e chegar, pelo menos, a quatro escritórios para que possamos cobrir as regiões. (já existem desks na África do Sul e Nigéria). Uma das nossas prioridades são os PALOP. A Apex quer fazer com que o comércio também seja uma ferramenta de cooperação para o desenvolvimento. Como apoiar os países africanos no acesso à tecnologia brasileira da genética bovina. Vendemos a nossa tecnologia, que ajuda a que desenvolvam a sua produção. É o que temos feito com a Embrapa.
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