Q&A com Dan Towriss: Cadillac revela estar pronta para construir um motor V8
A estreia da Cadillac no icónico circuito do Mónaco representa muito mais do que um simples marco desportivo para a construtora americana; é o espelho de uma organização em rápida maturação sob o olhar atento do seu líder, Dan Towriss.Num momento em que o paddock fervilha com especulações sobre o mercado de pilotos e os bastidores técnicos para as futuras regulamentações de motores, o responsável máximo da estrutura faz uma leitura realista e ambiciosa do progresso alcançado desde a abertura da temporada.Exibindo um estado de espírito que oscila perfeitamente entre o orgulho pelas metas atingidas e a exigência contínua por performance, Towriss aborda nesta conferência de imprensa a evolução contrastante dos seus pilotos, os boatos de despedimentos que encara como um elogio ao sucesso da equipa e o complexo xadrez político que envolve os motores de 2027 e o futuro projeto V8 da marca.
#11 Sergio Pérez (MEX) Cadillac Formula 1 Team (USA) Cadillac/Ferrari, during the 2026 Formula One Monaco Grand Prix, 6th round of the 2026 Formula 1 World Championship, taking place from June 5 to 7, 2026 on circuit de Monaco in Monaco (MCO) Copyright /Philippe Nanchino/ MPS Agency
P: Para começarmos, quais são as suas primeiras impressões de Mónaco? Esta é a primeira corrida da equipa neste circuito. O que acha de toda esta atmosfera?Dan Towriss: É incrível correr em Mónaco. Como disse, esta é a nossa primeira corrida pela Cadillac na Fórmula 1, por isso há uma história tão especial aqui, é uma corrida única no calendário da modalidade. Isto representa um grande marco para a equipa, estar finalmente aqui a competir, e ver o Checo regressar a este palco como antigo vencedor. Ele obviamente sente-se muito bem aqui, por isso estamos a gostar do progresso, gostamos de estar presentes e estamos muito entusiasmados.
P: Bem, o Checo pareceu estar muito competitivo na primeira sessão de treinos livres (TL1). A natureza única e as características de Mónaco oferecem-vos uma oportunidade maior de brilhar?Dan Towriss: Acho que sim. Obviamente que temos de continuar a executar o nosso plano de trabalho e logo veremos o que acontece. Foi apenas o primeiro treino livre, mas neste circuito nunca se sabe. Algo mágico pode sempre acontecer aqui. No entanto, na verdade, do nosso ponto de vista, estamos apenas focados no progresso da equipa, em continuar a amadurecer esta organização e a tornar os carros mais rápidos.
P: Pode falar-nos detalhadamente sobre o progresso que tem feito com a estrutura? Está satisfeito com a vossa posição atual em comparação com o ponto de partida na abertura do campeonato, em Melbourne?Dan Towriss: Sim, absolutamente. Acho que uma coisa é o processo de levar um carro de Fórmula 1 para a pista e prepará-lo para os testes de pré-temporada. Outra coisa completamente diferente é gerir uma equipa em pleno campeonato, quando se pensa em introduzir evoluções e em todas as dinâmicas que acontecem ao longo de um ano de corridas. Portanto, esta organização está a amadurecer diante dos nossos olhos à medida que continua a fazer todas as melhorias necessárias.E isso nota-se em cada área: é o desempenho do carro, são as paragens nas boxes, é a organização na garagem e as dinâmicas que estamos a desenvolver na fábrica. Todas essas vertentes de trabalho estão a acontecer em simultâneo. Por isso, estou muito feliz com o progresso, mas, ao mesmo tempo, nem tudo está ainda a render ao máximo, pelo que há sempre potencial, há sempre mais para extrair. Trata-se de encontrar o equilíbrio certo entre estar satisfeito e insatisfeito ao mesmo tempo.
P: Como avalia o desempenho dos vossos pilotos, o progresso que estão a demonstrar e também a influência direta que exercem no rumo da equipa?Dan Towriss: O feedback deles é extremamente importante para o desenvolvimento do carro. Acho que ambos os pilotos estão a fazer exatamente o que queremos que façam. Penso que vimos um Checo rejuvenescido em pista. Admiro imenso o quanto ele se está a divertir a correr. Vê-se a confiança a aumentar e o feedback a crescer.Por outro lado, o progresso nem sempre é linear, por isso, obviamente, o Valtteri não está ao mesmo ritmo que o Checo, mas está a fazer tudo o que lhe pedimos.O seu feedback também é muito útil numa altura em que procuramos soluções para estabilizar a traseira do carro e aspetos desse género. Portanto, sim, é ótimo e, repito, ambos são fundamentais para fazer este carro avançar.
P: Qual é a sua reação às recentes especulações e boatos na imprensa que envolvem o futuro do Valtteri na equipa?Dan Towriss: Acho que o Graeme foi muito claro nessa matéria. Levamos apenas algumas corridas disputadas e o Valtteri está a fazer tudo o que podemos pedir. Por isso, quando vi algumas dessas notícias pela primeira vez, a minha reação foi: “Uau, mostrámos progresso suficiente para que as pessoas comecem a tentar desestabilizar os nossos pilotos.” Aparentemente, o Checo vai-se embora e o Valtteri vai ser despedido, o que nos deixaria sem pilotos. Claramente, estamos felizes com ambos, eles estão comprometidos connosco e nós estamos comprometidos com eles.
#77 Valtteri Bottas (FIN) Cadillac Formula 1 Team (USA) Cadillac/FerrariCadillacFerrari, during the 2026 Formula One Monaco Grand Prix, 6th round of the 2026 Formula 1 World Championship, taking place from June 5 to 7, 2026 on circuit de Monaco in Monaco (MCO) Copyright /Philippe Nanchino/ MPS Agency
P: Olhando para o futuro regulamentar e considerando quaisquer alterações nas unidades de potência, qual será o impacto real dessas decisões no desenvolvimento do vosso monolugar?Dan Towriss: Quando olhamos para a unidade de potência, considerando quaisquer alterações, temos de ponderar qual será o impacto no chassis para 2027. Portanto, penso que as equipas estarão a torcer para que não haja alterações no chassis para ’27, mas obviamente o tempo é essencial aí. Como o Pedro de la Rosa disse, quanto mais cedo soubermos, melhor. Sim, veremos o que acontece. Há muito trabalho por fazer.
P: Sabendo que o Checo tem demonstrado um ritmo puro ideal nesta temporada, onde é que o Valtteri está a falhar em termos comparativos e se a equipa mantém a total confiança nele face aos rumores de bastidores?Dan Towriss: Vou começar pela última parte. Estamos muito confidentes em ter o Valtteri na equipa. Temos o maior respeito por ele. E, para que fique claro, não houve quaisquer discussões sobre o desempenho do Valtteri afetar o seu futuro na equipa. Estamos comprometidos com o Valtteri, como disse, e o Valtteri está comprometido connosco. Penso que, à medida que este carro se desenvolve, ele obviamente precisa… precisamos de continuar a encontrar mais força descendente (downforce) no carro, e cada piloto sente isso de maneira diferente, sendo que o progresso nem sempre é linear nesse sentido. Portanto, o que o Checo sente hoje é que está a progredir, e estou confiante de que o Valtteri estará ao mesmo nível muito, muito em breve.
P: Relativamente ao plano de divisão 40:60 para as unidades de potência de 2027, que tinha sido acordado em princípio, este mantém-se em vigor ou o processo retrocedeu a uma fase em que não existe consenso?Dan Towriss: Neste momento, penso que ainda é um trabalho em curso determinar como será o figurino para 2027. Portanto, certamente, do meu ponto de vista, não há nada escrito na pedra nesta altura.
P: O Colton Herta assumiu um risco considerável este ano ao deixar o contexto confortável da IndyCar para competir na Europa. O processo de adaptação e a evolução dele na Fórmula 2 estão a corresponder às expectativas da estrutura?Dan Towriss: Sim, esperávamos certamente ver altos e baixos. Acho que uma grande parte do percurso na Fórmula 2 serviu para ele aprender as pistas e os pneus. Obviamente, na Fórmula 1 o ritmo de uma volta é extremamente importante, ser capaz de preparar os pneus e sair para fazer aquela volta única. E estes são pneus muito diferentes daqueles com que o Colton correu ao longo de toda a sua carreira, pelo que há que reaprender isso, além de aprender pistas novas à medida que avançamos. Esta é a primeira vez que ele corre em Mónaco, pelo que será interessante de ver perceber quão rapidamente ele aprende o caminho nesta pista. No entanto, estou a gostar do progresso que ele está a fazer, está tudo dentro do programado e está a correr mais ou menos como prevíamos.
P: Sendo a Cadillac e a General Motors fabricantes de motores registados, qual é a vossa posição política sobre o fluxo de combustível para 2027 e o rumo dos futuros motores da Fórmula 1?Dan Towriss: Em relação ao motor de ’27, mais uma vez, é um trabalho em curso. Há muito trabalho por fazer. Acho que é uma negociação complexa, como podem imaginar. Uma alteração pode beneficiar mais uma equipa ou um grupo do que outro. Penso que o principal é que não podemos – embora o tempo seja essencial – avançar depressa demais. É muito complexo. Há muito trabalho de modelação que precisa de ser feito para compreender o que estas alterações podem proporcionar em pista para os pilotos, sem reabrir a homologação ou mexer demasiado no chassis também. E, portanto, isso continua por ver. Quanto à futura unidade de potência, estamos no caminho certo para um motor V6 em 2029. Também se fala da chegada de um V8 mais tarde e, tal como a GM já declarou publicamente, ficaríamos muito felizes em construir também um motor V8. Portanto, resta muito trabalho e muita negociação entre os fabricantes de unidades de potência por fazer, e veremos o que acontece.
FOTOS MPSA Agency
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