Impostos ‘simpáticos’ atraem mais de metade do pelotão da Fórmula 1 para o Mónaco
A maioria dos pilotos do atual pelotão da Fórmula 1 fixou residência no Mónaco, e isso deve-se à isenção total de impostos sobre o rendimento e patrocínios. Dos 20 atletas que integram a grelha de partida mundial, 13 residem atualmente no território do Principado, que tem menos de dois quilómetros quadrados de extensão. Esta concentração geográfica transforma o microestado no epicentro financeiro e social dos maiores nomes do desporto automóvel.
A razão primordial para esta escolha reside nos benefícios fiscais atrativos oferecidos pela região. “Não há imposto sobre o rendimento de pessoas singulares no Mónaco, é zero”, esclarece Mark Canterella, da consultora Monaco Advisers, citado no podcast de Kym Illman. O especialista acrescenta que os pilotos “não são tributados no salário nem nos patrocínios, o que resulta numa tributação individual de 0%”. Para profissionais que auferem dezenas de milhões de euros anualmente, a poupança gerada assume valores expressivos.
Copyright /Philippe Nanchino/ MPS Agency
O Clube dos Milionários de Monte CarloEntre os residentes de elite figuram campeões e promessas do desporto como Max Verstappen, Lando Norris, Lewis Hamilton, George Russell e Oscar Piastri. No entanto, o estatuto de residente fiscal exige critérios rigorosos. Para obter a aprovação do governo monegasco, o candidato necessita de comprovar solidez financeira através do depósito bancário de uma quantia que varia entre os 500 mil e os 3,5 milhões de euros.
Adicionalmente, os pilotos devem demonstrar que o centro da sua vida pessoal e económica está efetivamente sediado na cidade. As exceções aplicam-se a nativos como Charles Leclerc, o único detentor de passaporte monegasco no pelotão, e a pilotos franceses como Esteban Ocon e Pierre Gasly. Devido a restrições bilaterais históricas, os cidadãos gauleses que se mudem para o Mónaco não beneficiam do estatuto de isenção fiscal, sendo obrigados a pagar impostos em França.
As alternativas europeiasPara os pilotos que não elegem as ruas de Monte Carlo para habitação permanente, a Suíça surge como o segundo destino mais procurado. Esteban Ocon, Lance Stroll e Fernando Alonso residem em território suíço, onde a taxa de impostos varia consoante o cantão escolhido, mas permanece mais favorável face a economias como por exemplo, a francesa.
Outros pilotos preferem a proximidade às sedes das respetivas escuderias. É o caso de Yuki Tsunoda, radicado em Itália perto das instalações da Racing Bulls, ou de Kimi Antonelli, que reside na República de San Marino. O microestado italiano adota um sistema fiscal territorial onde os rendimentos de fonte estrangeira ficam totalmente isentos de tributação, oferecendo um alívio financeiro semelhante.
Enquanto o desportista de elite tece estratégias fiscais com a precisão de um ‘apex’ milimétrico aos rails da pista monegasca, encontrando brechas legais para otimizar os seus ganhos, o cidadão comum, na bancada, ou na TV, vê cada cêntimo do seu esforço ser escrupulosamente cobrado, sem margem para desvios. É o mundo que temos…
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