Q&A com Stig Blomqvist: “Não há nada que se possa comparar com os velhos tempos”
“Não há nada que se possa comparar com os velhos tempos”, assume Stig Blomqvist, nesta sua segunda participação no RallySpirit. Num olhar descontraído sobre o desporto atual e as máquinas que marcaram gerações, o histórico piloto elogiou o traçado e o profissionalismo do evento português, aproveitando para analisar a vertiginosa evolução técnica do WRC, onde a margem para erros é agora “quase nula”.
Esta é a sua segunda participação no RallySpirit. Reparou em alguma alteração em relação à primeira vez que esteve cá?Stig Blomqvist: “Acho que está um pouco mais profissional desta vez do que na primeira vez em que estive cá, mas é muito bom. As estradas são boas e… é mesmo tudo muito bom.”
Quais são as suas principais impressões sobre este rali, sobre este evento?Stig Blomqvist: “É fantástico ver isto. Vi tantos carros diferentes e carros com um aspeto muito bom. Por isso, é mesmo muito bom estar aqui.”
E o carro. Quais são as suas impressões sobre este Ford RS 200 S?Stig Blomqvist: “Como sabem, este não é o carro que guiei em 86, este foi desenvolvido a partir do RS200 que tínhamos em 86. O John Wheeler tem estado a construir algumas coisas diferentes no carro, coisas em que ele já estava a pensar para o programa de ralis que tínhamos, mas depois não houve tempo para as colocar em produção…Hoje em dia, em termos de condução, bom, já não se pode fazer muito, mas, OK é só conduzir e divertir-me e mostrar aos espectadores todos estes carros bonitos…”
O que acha do WRC hoje em dia?Stig Blomqvist: “Não está fantástico, longe disso, mas continua a ser uma competição muito boa. É muito renhida e tudo mais. Mas não há nada que se possa comparar com os velhos tempos, porque hoje o ritmo é muito maior, os carros estão super bem desenvolvidos em tudo, é absolutamente incrível vê-los bem guiados.”
Uma das grandes diferenças para o seu tempo é que antes os ralis eram longos e difíceis e hoje é tudo muito mais em sprint?Stig Blomqvist: “Sim, é claro que é mais difícil para os pilotos, porque o ritmo é tão rápido que eles não podem cometer nenhum erro, e se cometerem um pequeno erro, perdem talvez 5 ou 10 segundos, e pode significar perder o rali, porque hoje em dia é tão renhido, que a margem é quase nula para erros…”.
Acredita que alguma vez será possível para o WRC ter o impacto que teve nos anos 80?Stig Blomqvist: “Pergunta muito, muito difícil, não sei, realmente. É muito difícil responder a isso…”
Tem feito alguns ralis com carros históricos, mas já conduziu carros mais recentes também? Se sim, o que pensa da comparação dos carros antigos para estes novos?Stig Blomqvist: “São eras completamente distintas a todos os níveis, completamente diferentes, na verdade precisávamos de muito tempo, e a versão resumida é que hoje em dia os ralis decidem-se por décimas de segundo, no meu tempo tínhamos minutos, às vezes em cada troços, por isso era muito diferente.”
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