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Kaja Kallas pede negociações de paz após escalada de violência entre Irão e Israel

Kaja Kallas pede negociações de paz após escalada de violência entre Irão e Israel

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, apelou hoje para a realização de negociações de paz, após uma série de ataques nas últimas horas entre o Irão e Israel.
“Durante a noite, voltámos a assistir a uma escalada. Creio que a região não precisa de uma escalada, mas sim que as partes se sentem à mesa de negociações e cheguem a um acordo”, declarou a ex-primeira-ministra da Estónia à imprensa, à chegada a uma reunião informal de ministros da Defesa da UE.
Nas últimas horas, Irão e Israel envolveram-se num fogo cruzado que começou domingo com o ataque iraniano a território israelita, em represália pelo bombardeamento israelita a Beirute horas antes.
Israel anunciou ataques a zonas do oeste e centro do Irão, que por sua vez lançou uma vaga de mísseis na noite de domingo e outra hoje de manhã contra território israelita, sem causar feridos.
Em paralelo, os rebeldes Huthis do Iémen dispararam um míssil contra Israel, que foi intercetado, e hoje Israel atacou uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irão.
Kallas referiu que os ministros europeus irão abordar também a liberdade de navegação, e nesse contexto afirmou que o Irão e os Estados Unidos têm de chegar a um acordo para a abertura do estratégico estreito de Ormuz.
“Tem de haver uma solução diplomática, e têm de se sentar à mesa porque, no fim de contas, têm de chegar a acordo sobre isto”, enfatizou.
A responsável sublinhou que a UE está disposta a “ajudar na fase posterior ao cessar-fogo, bem como na escolta dos navios”, mas deixou claro que “o primeiro passo é, sem dúvida, o cessar-fogo”.
“Estamos em contacto com ambas as partes para lhes transmitir claramente que o cessar-fogo tem uma grande importância”, acrescentou.
Kallas pediu, em primeiro lugar, para “parar esta guerra imediatamente, abrir o estreito de Ormuz e depois aproveitar o tempo para debates mais prolongados, quando se tratar de temas mais difíceis como o nuclear, mas também outras questões críticas que estão em cima da mesa”.
A chefe da diplomacia comunitária indicou que na reunião desta segunda-feira, que por ser informal não pode servir para a tomada de decisões, os ministros europeus discutirão a contribuição que podem dar.
A UE já tem uma operação naval na região, a Aspides, mas apenas com mandato para operar no mar Vermelho, sendo que a extensão a Ormuz exigiria unanimidade dos 27.
Kallas referiu ainda o quadro legal já aprovado pela UE para sancionar quem obstrua a liberdade de navegação, e apontou que “hoje será a primeira vez em que se aplicam sanções ao Irão” nesse contexto.
No capítulo da segurança marítima, os ministros irão também discutir a chamada “frota fantasma” que ajuda a Rússia a fazer com que o seu petróleo escape às sanções internacionais.
Sobre esse tema, Kallas recordou a operação naval Irini, que a UE lançou ao largo da Líbia e que “mudou as regras de envolvimento” ao começar a poder abordar embarcações.

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