Xi visita Coreia do Norte para reforçar influência chinesa sobre Pyongyang
A visita do Presidente chinês à Coreia do Norte, que começa hoje, deverá servir para reafirmar a influência de Pequim sobre Pyongyang e reforçar uma aliança que ambos os países consideram cada vez mais importante, segundo analistas.
Xi Jinping inicia uma visita de dois dias à Coreia do Norte, a primeira desde 2019, durante a qual se reunirá com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Será o primeiro encontro entre ambos desde setembro passado, quando Kim participou em Pequim num desfile militar ao lado do Presidente russo, Vladimir Putin, e de outros líderes estrangeiros.
Embora não tenha sido divulgada uma agenda oficial, especialistas consideram que a deslocação poderá ter implicações significativas para a relação bilateral e para o equilíbrio estratégico no nordeste asiático.
“Um líder chinês não visita simplesmente a Coreia do Norte porque chegou a altura de o fazer. A viagem de Xi terá implicações reais para as relações entre a China e a Coreia do Norte”, afirmou Leif-Eric Easley, professor da Universidade Ewha, em Seul, citado pela agência Associated Press.
A visita ocorre semanas depois de Xi ter recebido em Pequim o Presidente norte-americano, Donald Trump, e Putin. O líder chinês deverá voltar a encontrar-se com Trump durante uma visita prevista aos Estados Unidos em setembro.
Para Kwak Gil Sup, diretor do portal especializado One Korea Center, Xi procurará demonstrar a influência da China na Península Coreana e afirmar um papel de liderança regional num contexto de competição estratégica crescente com Washington.
A China continua a ser o principal parceiro comercial e aliado diplomático da Coreia do Norte. Pequim é frequentemente apontada como responsável por suavizar o impacto das sanções internacionais sobre o regime norte-coreano, através do comércio transfronteiriço e de apoio económico.
Este ano assinala-se o 65.º aniversário do tratado de defesa mútua assinado entre os dois países.
Nos últimos anos, porém, surgiram dúvidas sobre a proximidade entre Pequim e Pyongyang, à medida que Kim aprofundou a cooperação com a Rússia, fornecendo tropas e armamento para apoiar a guerra na Ucrânia em troca de assistência económica e militar.
Segundo vários analistas, recuperar uma influência mais exclusiva sobre a Coreia do Norte poderá oferecer a Xi uma carta adicional nas negociações com Trump, que tem manifestado interesse em retomar contactos diplomáticos com Kim.
Num artigo publicado hoje no jornal oficial norte-coreano Rodong Sinmun, Xi apelou ao reforço da cooperação estratégica entre os dois países e à oposição conjunta à “hegemonia e à política de coerção”, defendendo uma ordem mundial multipolar.
Os especialistas preveem que Pequim possa anunciar novas formas de apoio económico, incluindo fornecimentos de arroz e fertilizantes, o regresso de grupos turísticos chineses à Coreia do Norte e projetos conjuntos de desenvolvimento económico.
“A Coreia do Norte não pode depender apenas da Rússia. Precisa de se alinhar com a China”, afirmou Kwak.
A visita acontece poucos dias depois de Kim ter inaugurado uma instalação destinada à produção de materiais para armas nucleares e prometido reforçar as capacidades nucleares do país “a um ritmo exponencial”.
No domingo, Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano e uma das principais responsáveis do regime, classificou os apelos dos Estados Unidos à desnuclearização da Coreia do Norte como um “sonho anacrónico”.
Analistas consideram que um dos objetivos de Kim será obter de Pequim uma aceitação tácita do estatuto da Coreia do Norte como potência nuclear, reduzindo a pressão chinesa sobre a questão da desnuclearização.
“Kim parece querer que Xi aceite a Coreia do Norte como um vizinho dotado de armas nucleares”, afirmou Easley.
Desde o fracasso das negociações com Trump em 2019, Kim rejeitou ofertas de diálogo por parte dos Estados Unidos e da Coreia do Sul e concentrou-se na expansão e modernização do arsenal nuclear norte-coreano.
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