10 Junho: Seguro defende que “boas relações” com EUA e “autonomia estratégica” da Europa são complementares
O Presidente da República defendeu esta terça-feira que se deve manter “boas relações” com os Estados Unidos da América, e aprofundá-las, mas ao mesmo tempo assegurar a “autonomia estratégica” da Europa em matéria de segurança e defesa.
“Acho que as duas dimensões são perfeitamente complementares”, declarou António José Seguro aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde chegou hoje, para as comemorações do Dia de Portugal, e se reuniu com a representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.
Questionado pelos jornalistas sobre qual o momento adequado para uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América que regula a utilização da Base das Lajes – que defendeu em janeiro, enquanto candidato presidencial –, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas considerou que “não é este o momento” para falar desse assunto.
Interrogado se escolheu fazer estas comemorações na ilha Terceira também como uma forma de afirmação da soberania nacional, por causa da Base das Lajes, António José Seguro respondeu: “O Presidente da República todos os dias afirma a soberania de Portugal, em qualquer canto do nosso país”.
“Fá-lo aqui nos Açores, na Ilha Terceira, como o faz em Trás-os-Montes, no Minho, no Algarve, no Alentejo, em todos os cantos do nosso país. Afirmar a nossa soberania, a defesa da nossa independência nacional, é uma das tarefas mais nobres e mais exigentes de um Presidente da República”, completou.
Sobre as relações com os Estados Unidos da América, o chefe de Estado referiu que as suas posições são conhecidas: “Eu sou um defensor da manutenção da NATO como organização de defesa e de segurança, e considero que nós devemos ter boas relações com os Estados Unidos da América. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis, económico, comercial, de segurança”.
“Devemos ter uma visão mais alargada também em relação ao Atlântico, não olhar apenas para os Estados Unidos da América, olhar também para o Canadá, olhar para o Mercosul. Nós temos uma vocação universalista e nós devemos dar expressão a essa vocação através de cooperações muito concretas”, acrescentou.
António José Seguro realçou, a seguir, que é também conhecida a sua posição em defesa “da autonomia estratégica da Europa, designadamente também em matéria de segurança e defesa”, e defendeu que são complementares.
PR diz que tem tido uma “boa articulação” com o primeiro-ministro
O Presidente da República, António José Seguro, indicou hoje que tem “havido uma boa articulação” e tem tido “boas reuniões de trabalho” com o primeiro-ministro Luís Montenegro, reafirmando que quer ser “um Presidente de equilíbrio”.
“Tem havido uma boa articulação [com o primeiro-ministro], boas reuniões de trabalho que temos tido semanalmente e, naturalmente, isso corresponde àquilo que eu também assumi como compromisso com os portugueses”, afirmou António José Seguro em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
O Presidente da República foi recebido pela representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa, numa cerimónia de cumprimentos no âmbito das Comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Solar Madre Deus, em Angra do Heroísmo.
Nas declarações aos jornalistas, proferidas no final da cerimónia, lembrou ter assumido perante os portugueses “ser um Presidente acima de todos os partidos, um Presidente de equilíbrio”.
“Vim [para o cargo] para equilibrar o sistema político e sinto-me feliz porque, nestes três meses – faz hoje precisamente três meses que tomei posse como Presidente da República -, tenho conseguido. É a avaliação que eu faço”, concluiu.
António José Seguro respondia a uma pergunta dos jornalistas a propósito das comemorações do 10 de Junho no Luxemburgo, onde esteve acompanhado pelo primeiro-ministro, e onde disse que os dois se completavam.
Hoje, questionado sobre se Presidente da República e primeiro-ministro se completavam porque são diferentes ou porque pensam da mesma forma, respondeu: “Em primeiro lugar, complementámo-nos porque eu decidi pôr a minha assinatura na bandeira nacional na parte verde e o senhor primeiro-ministro na parte vermelha”.
“Mas é evidente que o Presidente da República tem uma responsabilidade muito grande de criar condições para que os Governos e, neste caso concreto, este Governo, tenha, do ponto de vista político e social, condições para executar o seu programa. É assim que os países avançam, com a possibilidade de quem legitimamente é escolhido pelos portugueses, poder concretizar as suas ideias”, afirmou Seguro.
O Presidente da República, António José Seguro, deu hoje início às comemorações oficiais do Dia de Portugal na ilha Terceira, na sua primeira deslocação à Região Autónoma dos Açores.
António José Seguro escolheu o professor universitário açoriano Miguel Monjardino, nascido em Angra do Heroísmo, para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano, as primeiras do seu mandato presidencial, com sede nesta cidade açoriana.
A cerimónia do hastear da bandeira, que normalmente marca o arranque das comemorações, está agendada para as 15:00 locais (mais uma hora em Lisboa), no Pátio da Alfândega, em Angra do Heroísmo.
Na quarta-feira, 10 de Junho, a cerimónia militar do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, com discursos do Presidente da República e do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais.
Hoje, o Presidente da República terá ainda um encontro com jovens, na Academia da Juventude, na cidade da Praia da Vitória, receberá cumprimentos do corpo diplomático acreditado em Portugal, no Palácio dos Capitães-Generais, e irá assistir a um concerto na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, seguido de um espetáculo de fogo de artifício, na baía de Angra.
Na quarta-feira, a seguir à cerimónia militar do 10 de Junho, o programa do chefe de Estado inclui um almoço com a população, no Pavilhão Multiusos do Porto Judeu, e a cerimónia do arriar da bandeira nacional.
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