Anacom: Reclamações digitais registam subida histórica de 238%
As reclamações sobre serviços digitais em Portugal registaram uma subida histórica no início de 2026. Segundo os dados mais recentes da Anacom, as queixas triplicaram pelo terceiro trimestre consecutivo em comparação com o mesmo período de 2025.
Ao todo, a entidade reguladora contabilizou 98 reclamações nos primeiros três meses deste ano, o que se traduz num crescimento expressivo de 238% face ao ano anterior.
O principal motivo de descontentamento dos utilizadores prende-se com a suspensão, restrição ou remoção de contas e conteúdos por parte das plataformas. Os fornecedores justificam estas ações com base em infrações à lei ou aos termos de utilização, mas os clientes consideram que as medidas são indevidas. Este problema motivou 54 queixas, representando 55% do total de ocorrências.
Ainda assim, a maior subida percentual pertence às críticas sobre a forma como as próprias empresas tratam as reclamações, que saltaram de apenas um caso em 2025 para 19 casos em 2026. A denúncia de conteúdos ilegais surge logo a seguir na lista com 25 reclamações, as quais a Anacom encaminhou para as autoridades competentes. As dúvidas e problemas com a identidade e segurança dos utilizadores motivaram 5% das queixas do trimestre.
No que toca às empresas visadas, o grupo Meta está no centro da maioria dos protestos e concentra mais de metade das reclamações recebidas. O Instagram lidera o grupo com 29% das queixas, seguido de perto pelo Facebook com 27%.
Com números bastante mais baixos surgem o WhatsApp, que também pertence à Meta, e o TikTok, acumulando 4% cada um. O restante volume de queixas dividiu-se por mais de duas dezenas de outros intermediários digitais.
A Anacom destaca que a maior parte destas reclamações visa plataformas de muito grande dimensão e com sede noutros países europeus. Devido a isso, o regulador português já avançou com o envio de 38 reclamações com indícios de infração ao Regulamento dos Serviços Digitais para os seus homólogos estrangeiros.
A grande maioria destas queixas, num total de 36, seguiu diretamente para o Coordenador de Serviços Digitais da Irlanda, tendo as restantes sido partilhadas com os reguladores do Luxemburgo e dos Países Baixos.
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