24h Le Mans: A estreia da Genesis
A Genesis Magma Racing marca a grande novidade da classe Hypercar no WEC em 2026, com a estreia do braço desportivo da marca de luxo da Hyundai no topo do endurance mundial. A equipa apresenta dois protótipos LMDh, o GMR‑001, com um line‑up que reúne pilotos consagrados de Le Mans, IMSA e alguns dos nomes mais sólidos do panorama europeu, tornando-se o primeiro construtor sul-coreano a competir em La Sarthe ao mais alto nível.
A temporada de 2026 é o ano de estreia, após um programa de testes intensivo em que o GMR‑001 percorreu mais de 25 000 quilómetros antes da primeira corrida oficial. O objetivo declarado é lançar um programa de longo prazo no topo do endurance, usando o WEC e Le Mans como montra tecnológica e de imagem, num caminho semelhante ao percorrido pela Hyundai nos ralis com o WRC.
O GMR‑001 é um protótipo LMDh desenvolvido em parceria com a ORECA, equipado com o motor Genesis G8MR 3,2 litros V8 biturbo, desenvolvido pela Hyundai Motorsport na Alemanha a partir da arquitetura do motor 1,6 turbo utilizado no WRC, partilhando cerca de 60% dos componentes com o quatro cilindros, usado nos ralis.
Imola: primeiros quilómetros “a sério”
A estreia oficial da Genesis Magma Racing no FIA WEC aconteceu nas 6 Horas de Imola 2026, com os dois GMR‑001 a enfrentarem pela primeira vez um pelotão Hypercar cheio de “tubarões”. Na qualificação, o n.º 19 destacou-se ao assinar a melhor volta do projeto, a cerca de 1,2 segundos do tempo mais rápido da classe, enquanto o n.º 17 ficou logo atrás.
Na prova, a estreia foi tão dura quanto esperada. O Genesis n.º 17 de Lotterer/Derani/Jaubert terminou em 15.º lugar, a duas voltas do Toyota vencedor, depois de uma corrida relativamente limpa, mas marcada por cautela e algumas perdas de tempo sob Full Course Yellow. Já o n.º 19 protagonizou uma jornada bem mais atribulada: um problema num sensor logo na fase inicial obrigou a uma paragem prolongada na garagem, custando mais de vinte voltas e atirando o carro para 17.º, ainda assim com a bandeira de xadrez como recompensa do primeiro contacto em condições de corrida.
Em termos desportivos, Imola não rendeu manchetes, mas cumpriu o objetivo de base: os dois carros chegaram ao fim e a equipa pôde recolher dados completos de consumo, degradação de pneus e comportamento em tráfego, ouro para um projeto em ano de estreia.
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Spa: primeiros pontos e evolução clara
Nas 6 Horas de Spa‑Francorchamps 2026, a Genesis deu o primeiro passo visível em frente. A estrela foi o Genesis n.º 17. Partindo de 17º, Lotterer e Derani assinaram stints muito interesssantes, com Jaubert a segurar um ritmo consistente nas fases mais caóticas. Ao fim de seis horas, o #17 cruzou a meta em 8.º lugar (aproveitando erros alheios), garantindo os primeiros pontos da Genesis no FIA WEC e assinando o melhor resultado do projeto. O n.º 19 terminou em 13.º, depois de um problema elétrico nas primeiras voltas ter custado várias voltas à equipa, mas com um registo de ritmo claramente mais próximo do grupo intermédio.
A soma de Imola e Spa deixa uma fotografia nítida: o GMR‑001 ainda está num patamar abaixo dos projetos mais maturados, mas não está irremediavelmente destinado aos últimos lugares da classe Hypercar. A fiabilidade melhorou, o ritmo está em crescendo e a operação, baseada em Le Castellet, começa a ganhar automatismos. Le Mans será apenas a terceira corrida, a mais exigente e também aquela onde mais se aprende. Mas o projeto mostrou solidez para encarar o desafio com confiança de quem pode ter uma boa prestação.
Le Mans 2026: estreia absoluta em La Sarthe
As 24 Horas de Le Mans 2026 serão o momento mais importante do ano para a Genesis Magma Racing. A marca estreia-se em La Sarthe com dois GMR‑001:
Genesis Magma Racing n.º 17 — André Lotterer / Pipo Derani / Mathys Jaubert
Genesis Magma Racing n.º 19 — Mathieu Jaminet / Paul‑Loup Chatin / Dani Juncadella
Os objetivos internos são ambiciosos, mas realistas: terminar a corrida com pelo menos um carro no top‑10 e, se possível, colocar os dois GMR‑001 na folha de resultados final, capitalizando eventuais problemas dos favoritos. A Genesis chega ao “exame final” de 2026 sem prometer o impossível, apoiada num projeto tecnicamente sólido e numa curva de evolução visível. Mesmo que a estreia em La Sarthe não resulte em resultados positivos, uma prestação consistente seria suficiente para consolidar a presença da marca coreana no círculo restrito dos construtores de topo do endurance moderno. Afinal, a história só agora começou.
Foto: Philippe Nanchino
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