China propõe ilha flutuante movida a energia nuclear para transformar transporte marítimo global
A Jiangnan Shipyard, uma das maiores construtoras navais do mundo e subsidiária da estatal China State Shipbuilding Corporation, apresentou esta semana o projeto de uma ilha flutuante movida a energia nuclear para servir como terminal de transferência de contentores e estação de abastecimento energético para navios.
O terminal flutuante será alimentado por avançados reatores de sal fundido, que conseguem armazenar grandes quantidades de energia térmica e arrefecer sem necessidade de água. O complexo incluirá uma plataforma de produção de energia nuclear e combustíveis verdes, descrita como o “coração de carbono zero do centro logístico”.
A plataforma irá alojar um reator de sal fundido, painéis solares, uma turbina eólica, um módulo de produção de hidrogénio e síntese de combustíveis verdes, bem como um módulo de fornecimento de eletricidade. A Jiangnan Shipyard tem vindo a desenvolver barcos movidos a energia nuclear. No ano passado, desenvolveram um navio de carga, concebido para ser alimentado por um reator de sal fundido, com capacidade para transportar 25 mil contentores.
O transporte marítimo é responsável por 80% do comércio global em volume e continua a ser um dos mais difíceis de descarbonizar, preso a uma infraestrutura baseada em combustíveis fósseis construída ao longo de um século. Mais do que um projeto industrial, trata-se de uma declaração estratégica: a China pretende liderar a próxima etapa do comércio marítimo, controlando toda a cadeia de valor — dos navios ao combustível, passando pelos próprios portos.
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