Deco avisa que subida do BCE vai encarecer crédito habitação e dificultar acesso ao financiamento
A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de aumentar as taxas de juro diretoras em 25 pontos-base, elevando a taxa de depósitos para 2,25%, deverá traduzir-se num agravamento das prestações do crédito à habitação para as famílias portuguesas e em condições de acesso ao financiamento mais restritivas. O alerta é da Deco PROteste, que esta quinta-feira analisou o impacto da medida para os consumidores.
A subida surge num contexto de aceleração da inflação na Zona Euro, que voltou a ultrapassar a meta de 2% definida pelo BCE, situando-se agora em 3,2%. O agravamento dos preços, inicialmente concentrado na energia, alastrou entretanto a outros setores, incluindo os serviços, aumentando a pressão sobre a autoridade monetária europeia para intervir.
O principal canal de transmissão para os consumidores será a Euribor, indexante utilizado na maioria dos contratos de crédito à habitação com taxa variável. Os mercados já antecipavam uma subida das taxas, e a confirmação da decisão do BCE deverá reforçar essa tendência ao longo dos próximos meses. O impacto efetivo nas prestações dependerá do montante em dívida, do prazo remanescente e do indexante contratado por cada família.
Para ilustrar os efeitos concretos, a Deco PROteste apresentou três cenários simulados, com base num prazo de 30 anos, spread de 1% e Euribor a seis meses como indexante, assumindo um agravamento de 0,25 pontos percentuais. Num contrato com 150.000 euros em dívida, a prestação passaria de 676,58 euros para 697,74 euros, um acréscimo mensal de 21,16 euros. Para um financiamento de 250.000 euros, o aumento seria de 35,26 euros mensais, e para 350.000 euros, de 49,36 euros.
A organização de defesa do consumidor alerta ainda para um segundo efeito desta conjuntura: o possível endurecimento das condições de acesso ao crédito. Está em discussão, a nível das autoridades nacionais, uma eventual redução da taxa de esforço máxima recomendada pelo Banco de Portugal para a concessão de novos créditos à habitação. Embora não haja ainda qualquer decisão final, a Deco PROteste considera que, num contexto de taxas mais elevadas e maior pressão inflacionista, essa alteração poderia dificultar ainda mais o acesso ao financiamento para quem está a preparar um pedido de crédito.
“A subida das taxas de juro não afeta apenas quem já tem crédito à habitação. Também pode tornar mais difícil o acesso à compra de casa para milhares de famílias que estão atualmente a preparar um pedido de financiamento. É fundamental que os consumidores avaliem cuidadosamente a sua capacidade financeira antes de assumirem novos encargos”, afirmou a organização.
A Deco PROteste recomenda que os consumidores revejam regularmente as condições do seu crédito, comparem propostas entre instituições financeiras e recorram a simuladores para antecipar o impacto de futuras variações das taxas. Para o efeito, disponibiliza o serviço Proteste Crédito e ferramentas de simulação no seu sítio na internet.
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