Macau financia estágios para jovens em empresas chinesas com negócios lusófonos
O Governo de Macau anunciou hoje que vai oferecer cinco mil patacas (536 euros) por mês a residentes que realizem estágios em empresas da China continental com negócios nos países de língua portuguesa e espanhola.
De acordo com a Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o programa terá a duração de 12 semanas e disponibiliza 15 vagas, em áreas como operações comerciais, recursos humanos, administração, finanças e assuntos jurídicos.
Os estágios vão decorrer na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha), que está sob a tutela do município de Zhuhai, em empresas de “alta qualidade” com presença nos mercados lusófonos e hispânicos, para “reforçar as competências linguísticas e profissionais dos jovens de Macau”.
Podem candidatar-se residentes de Macau com menos de 35 anos, licenciados ou recém-graduados em 2026, desde que possuam as competências exigidas para os postos de estágio e um salvo-conduto para deslocação ao interior da China.
Os portugueses com estatuto de residentes em Macau ficam assim excluídos dos estágios, uma vez que este salvo-conduto é apenas atribuído a pessoas que detém a nacionalidade chinesa.
A DSAL atribuirá a cada estagiário um subsídio mensal de subsistência de cinco mil patacas (536 euros), além de um subsídio único de 500 patacas (36 euros) para transporte de ida e volta e seguro de viagem.
Os participantes terão ainda direito a alojamento e subsídio de almoço durante o período de estágio, ficando as restantes despesas pessoais a seu cargo.
As candidaturas ao programa abrem a 15 de junho, numa iniciativa coorganizada pela DSAL e pela Direção dos Serviços de Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, com organização do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), criado em 2025.
“Com esta medida, o Governo de Macau procura consolidar o papel da região como ponte entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, ao mesmo tempo que investe na formação e empregabilidade dos jovens locais”, indicou a DSAL.
A China definiu em 2003 Macau como uma ponte entre o país e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder do governo, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua oficial espanhola.
Em abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Lisboa e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto.
O chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola.
Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.
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