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Acordo EUA-Irão: mesmo com tudo assinado, regresso ao normal levará meses

Acordo EUA-Irão: mesmo com tudo assinado, regresso ao normal levará meses

Os preços do petróleo voltaram a registar fortes quedas, em reação aos anúncios de Donald Trump feitos ontem [quinta-feira 11 de junho]. Em primeiro lugar, cancelou os ataques previstos contra o Irão, que deveriam ter ocorrido ontem à noite e, em segundo lugar, indicou que um acordo com o Irão está praticamente fechado e poderá ser assinado na Europa muito em breve. O Brent caiu abaixo dos 90 dólares por barril.
Embora a reação dos preços seja acentuada, analisando as situações passadas, é necessário avaliar esta situação com cautela:
● O presidente norte americano já afirmou dezenas de vezes que um acordo com o Irão está perto de ser alcançado, mas até agora nenhum se concretizou. Além disso, mesmo apesar das tentativas, o número de navios que atravessam o Estreito diminuiu, mesmo em comparação com a situação em que havia operações militares efetivas.
● Teerão está efetivamente a moderar o entusiasmo, afirmando que ainda não se chegou a conclusões finais, e as agências de notícias locais relatam que o texto do acordo ainda não foi oficialmente aprovado. Diz-se que o potencial acordo assume a forma de um memorando que prevê, entre outras coisas, um cessar-fogo de 60 dias e o levantamento do bloqueio naval em troca do regresso às negociações nucleares.
Ainda assim, mesmo que os documentos sejam assinados, o regresso à normalidade física total levará meses. Além disso, o encerramento bem-sucedido do estreito cria o risco de um regresso a uma escalada semelhante, caso ambas as partes voltem a entrar em conflito.
Por outro lado, a necessidade de remover as minas do Estreito de Ormuz, reparar as infraestruturas energéticas após os ataques com drones, e o tempo necessário para restabelecer a produção interrompida, constituem obstáculos.
Curiosamente, este processo de desaceleração coincide com um mercado spot muito restrito. Os inventários estão claramente a diminuir. Embora globalmente se mantenham em níveis elevados em alguns locais, como Singapura ou mesmo no terminal de Cushing, os inventários estão extremamente baixos e apontam para potenciais problemas nas próximas semanas, caso as entregas normais não sejam restabelecidas.

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