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Investidores mantêm corrida aos levantamentos de capital

Investidores mantêm corrida aos levantamentos de capital

A corrida aos levantamentos de capital de fundos de crédito não terminou nos primeiros meses do ano. Prolonga-se. Estes fundos estão investidos predominantemente em títulos de dívida emitidos por empresas e acumulam-se receios sobre a capacidade que estas têm de cumprir com as suas obrigações, especialmente na área do software, vista como a mais exposta aos avanços na inteligência artificial.
No primeiro trimestre, a Cliffwater e o Morgan Stanley, que gerem este tipo de fundos, travaram os resgates, impondo restrições. Agora, a Blackstone e o Partners Group confirmaram que limitaram os levantamentos em vários dos seus fundos a 5%.
A Blackstone reportou que recebeu pedidos de resgates de 10%, no segundo trimestre, no seu principal fundo de crédito, o Blackstone Private Credit Fund (BCRED), com um valor estimado de 45 mil milhões de dólares (38,6 mil milhões de euros).
O Partners Group, que tem ativos sob gestão de 185 mil milhões de dólares (158,9 mil milhões de euros), decidiu suspender os resgates do fundo Global Value SICAV a 5%, depois de pedidos de levantamento pelos investidores de 9,8%. Em três fundos evergreen [fundos abertos ou semilíquidos], num valor total de 9,7 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros), houve pedidos de levantamento entre 3,5% e 5%. A gestora referiu que iria impor um limite de 5% caso existissem pedidos de resgates superiores.
No primeiro trimestre ‘voaram’ de fundos de crédito 20,8 mil milhões de dólares (17,7 mil milhões de euros), noticiou o “Financial Times”.
O Carlyle Group reportou pedidos de levantamento de 15% do seu principal fundo de crédito privado (Carlyle Tactical Private Credit Fund). A Ares Management confirmou que o seu fundo de crédito (Ares Strategic Income Fund), que está avaliado em 22,7 mil milhões de dólares (19,5 mil milhões de euros) recebeu pedidos que atingiam os 11,6%. Apollo e Blue Owl, como a BlackRock, também anunciaram situações muito idênticas.
Isto levou os bancos centrais a franzirem o sobrolho, avaliando o risco sistémico destes investimentos. Não só nos Estados Unidos, mas também na Europa. “São relevantes para a zona euro não porque as exposições domésticas diretas sejam elevadas, mas sim porque os investidores, os mutuários e os gestores de ativos da zona euro estão ligados aos mercados globais de crédito privado”, refere o Banco Central Europeu.
Preocupação com otimismo
No entanto, esta ansiedade demonstrada pelos investidores não trava o mercado. O crédito privado cresceu significativamente, gerindo atualmente mais de dois biliões de dólares (1,7 biliões de euros) em ativos, e prevê-se que atinja os 3,4 biliões de dólares (2,9 biliões de euros) até 2030.
“Apesar dos desafios recentes, como o incumprimento dos mutuários, o foco regulatório e os resgates de fundos, os gestores de carteiras continuam otimistas quanto ao crescimento, embora reconheçam que a classe de ativos está a entrar no seu primeiro ciclo de crédito significativo, com um aumento da concorrência e pressão sobre os retornos”, considera a consultora PwC, no seu último relatório sobre este mercado, feito a partir de um inquérito a 120 gestores.
Mais de 80% dos inquiridos esperam receber maiores alocações de capital nos próximos 12 meses, o que mostra a vitalidade do mercado.

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