Vendas dos Mar Shopping crescem 8,4%
A Ingka Centres, que em Portugal é dona dos centros comerciais Mar Shopping, em Matosinhos e no Algarve fechou o exercício de 2025 com um crescimento de 8,4% no somatório dos dois espaços. As vendas do centro no Algarve aumentaram 11,2% e em Matosinhos 6,7%.
Em conversa com o Jornal Económico (JE), Mário Barros, central markets manager pelo negócio da Ingka Centres para o sudoeste da Europa (que engloba Portugal, Espanha, França, Itália e Reino Unido), prevê que o crescimento se mantenha este ano, “ainda que ligeiramente abaixo do ritmo anterior”. Explica que esse aumento é sustentado, principalmente em Portugal e Espanha, por ambos os mercados estarem “bastante expostos à indústria de serviços e têm beneficiado com isso”. Aponta ainda como fatores de crescimento a resiliência do mercado de trabalho nos países ibéricos e o uso de energias renováveis.
De regresso ao mercado nacional, e a nível de vendas, o responsável indica ao JE que o centro comercial de Matosinhos teve 12,8 milhões de visitas em 2025, mais 4% do que no ano anterior, e o centro de Loulé 8,5 milhões, um aumento de 5,8% face ao período homólogo.Quantificando um total de 21,3 milhões de visitas em 2025, um aumento de 4,7% face a 2024.
Sobre a eventual abertura de novos espaços no país, Mário Barros avança que a empresa está atenta às oportunidades, embora esteja mais focada em expandir “com relevância”. “Acabámos de expandir no Algarve, acrescentámos quatro mil metros quadrados ao designer outlet Algarve, o outlet que faz parte do grupo e está localizado mesmo ao lado do Mar Shopping, e isso permitiu abrir uma loja da Nike. Conseguimos criar ali uma nova centralidade que atrai bastante gente, por isso, não necessitávamos de ir para outro sítio para ganhar essa relevância. Agora vamos estar mais focados em Matosinhos e no nosso conceito de ‘meeting places’”.
Consumidor mais racional
A estratégia global do Grupo Ingka, que tem 38 centros em 15 mercados e que incluem sempre uma loja da IKEA, é afastar-se da designação de centro comercial e cimentar a expressão ‘meeting places’ [lugares de encontro]. Mário Barros explica que esta é uma resposta à mudança de comportamento do consumidor que agora procura mais do que “apenas compras”. A Ingka quer cimentar a ideia desses espaços de encontro e apontar para lá das lojas com uma aposta clara na restauração, lazer, cultura e serviços, “que passaram a ser o motor central dos centros comerciais.” O visitante é agora um “consumidor racional 2.0”, explica. Procura algo mais híbrido, entre as lojas físicas e o digital, mas mostra-se sobretudo “mais sensível ao preço, menos impulsivo, que pesquisa e compara mais e olha para a pegada ambiental”. E acrescenta: “antes ia-se aos centros comerciais para fazer compras, hoje vai-se para comer. No início do século, os centros tinham 5% de oferta de restauração, hoje passa os 12%. E, em certos países da Ásia, há centros comerciais que têm 25 a 30% de oferta de comida.” Sobre a influência das guerras e da instabilidade política global no negócio, Mário Barros realça que a Ingka Centres tem trabalhado, sobretudo, na questão energética. “Temos criado ativos mais eficientes energeticamente para amortecer estes choques de energia e temos um plano de investimentos até 2030 para melhorar a eficiência energética nos centros”. Em Portugal as áreas comuns dos centros da Ingka utilizaram 100% de energias renováveis e 20% foi gerada pelo próprio edifício, indica o responsável.
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