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Boa governance é uma condição de competitividade

Boa governance é uma condição de competitividade

Existe uma tendência para tratar a governance empresarial como um conjunto de obrigações formais, como relatórios de sustentabilidade, pareceres das comissões de auditoria, políticas de diversidade nos órgãos sociais, numa perspetiva de simples cumprimento do requisito ou regulamento. Esta visão redutora ignora o que a evidência tem demonstrado de forma consistente: a qualidade da governance é um fator determinante de desempenho financeiro e económico.
Boa governance empresarial traduz-se em conselhos de administração com composição adequada às necessidades estratégicas da empresa, com independência real e não apenas nominal, capazes de escrutinar e desafiar a gestão executiva, e de antecipar e avaliar riscos. Também se traduz em estruturas de remuneração alinhadas com um desenvolvimento sólido e sustentável, e não com incentivos de curto prazo que distorcem decisões, assim como na transparência na informação divulgada, que não deve ser um simples exercício de relações públicas, mas como sinal credível para acionistas, credores e parceiros.
E este sinal importa cada vez mais. Os investidores cada vez mais incorporam a qualidade da governance nas suas decisões de alocação de capital, assim como os credores nas suas decisões de financiamento. Uma empresa com uma má governance paga um prémio de risco mais elevado ou simplesmente não acede a determinadas fontes de financiamento.
A relevância da governance como fator competitivo é visível em empresas como a Novo Nordisk, cuja estrutura de supervisão, cultura de valores e diversidade, e estabilidade acionista têm sido apontadas como elementos centrais da sua capacidade de inovação e desenvolvimento sustentável, tendo-se tornado uma das mais valiosas empresas europeias.
Uma nota particular merece o setor empresarial do Estado. As empresas públicas operam frequentemente em setores estratégicos, como a saúde, transportes, ou financeiro, com impacto direto na competitividade da economia. Quando a sua governance é deficiente, os critérios de nomeação se sobrepõem à competência ou a supervisão acionista é fraca, o problema deixa de ser apenas de gestão, mas passa a ser sistémico. Uma empresa pública mal governada distorce mercados, onera o erário e sinaliza, para o exterior, que os padrões de exigência não são universais.
O reconhecimento da governance empresarial como fator-chave nas empresas privadas e públicas é cada vez maior, o que se tem refletido no surgimento de cada vez mais artigos sobre corporate governance nas melhores revistas académicas do mundo. Portugal não é exceção, e a corporate governance tem avançado, também por impulso regulatório europeu, pela maior sofisticação dos mercados de capitais, e pelo trabalho de instituições de avaliação e divulgação de boas práticas. Mas há ainda um caminho significativo a percorrer, sobretudo nas empresas familiares de média dimensão e nas cotadas de menor liquidez. A boa governance não é um custo de contexto. É um investimento na credibilidade e na capacidade competitiva das empresas e, por extensão, do país.

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