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Líderes têm de ter capacidade para gerir a complexidade

Líderes têm de ter capacidade para gerir a complexidade

O mercado de trabalho nacional tem sofrido alterações, as empresas tendem, cada vez mais, a procurar uma força de trabalho mais qualificada, e com mais competências, nomeadamente a nível tecnológico.
A formação executiva é hoje vista como um “dos principais fatores de competitividade das organizações”, com estas a procurarem cada vez mais este tipo de atributo no intuito de reforçar essa mesma competitividade.
Carlos Maia, regional director da Hays, afirma que “num mercado marcado pela transformação digital, pela evolução tecnológica e pela escassez de talento qualificado, os líderes precisam de atualizar continuamente os seus conhecimentos e competências para tomar decisões mais informadas, gerir equipas de forma eficaz e responder a contextos de mudança cada vez mais rápidos”.
Segundo o responsável, esta formação tem de ser mais do que uma simples “ferramenta individual” e mais um “investimento estratégico que permite às empresas preparar as suas lideranças para os desafios atuais e futuros do negócio”.
Mas é importante que esta formação “acompanhe a evolução” que se sente no mercado, e que ofereça “programas mais direcionados, práticos e alinhados com os desafios reais das organizações”, aponta Caroline Alberto, senior manager da Michael Page.
Cada vez mais as empresas procuram “líderes preparados para gerir a complexidade”, capazes de “combinar visão estratégica, conhecimento técnico, capacidade de adaptação e competências de liderança”, revela o regional director da Hays.
“Num contexto em que a transformação tecnológica está a alterar profundamente a forma como as organizações operam, os executivos são cada vez mais chamados a liderar equipas multidisciplinares, promover a inovação, gerir a mudança e tomar decisões com base em dados”, explica.
Apesar da experiência continuar a ser valorizada e uma mais-valia para os líderes, as empresas querem um gestor que tenha capacidade de “aprendizagem contínua e a agilidade para responder a novos desafios”, acrescenta.
As empresas de executive search referem que atualmente o conhecimento técnico “é importante, mas já não é suficiente para funções de liderança”, diz Caroline Alberto.
“Hoje, valoriza-se muito a capacidade de compreender o negócio como um todo, de trabalhar de forma colaborativa entre diferentes áreas e de tomar decisões num contexto complexo e multidisciplinar. Um bom executivo precisa de conseguir ligar estratégia à execução e perceber como os diferentes departamentos impactam os resultados da organização”, indica a responsável.
De acordo com os dados da Hays, as empresas valorizam uma “combinação equilibrada entre competências técnicas e competências humanas”. Sendo as competências técnicas e digitais apontadas como prioritárias por 53% dos empregadores.
Contudo, a componente humana tem sido cada vez mais valorizada pelas empresas. “Competências como empatia, escuta ativa e inteligência emocional são cada vez mais valorizadas, sobretudo em cargos de topo”, refere a senior manager da Michael Page.
Segundo Carlos Maia, atualmente, o perfil de executivo mais valorizado pelo mercado é “aquele que consegue combinar conhecimento técnico com capacidade de liderança, visão estratégica e inteligência relacional.”
As empresas estão igualmente a valorizar de forma crescente os programas desenvolvidos por escolas de negócio, universidades e entidades especializadas, “sobretudo quando estes proporcionam contacto com diferentes realidades empresariais”, indica. É que, salienta Carlos Maia, “além da atualização de conhecimentos, este tipo de formação permite o desenvolvimento de redes de networking”. Este contacto com outros profissionais “promove a troca de experiências, a partilha de boas práticas e até novas oportunidades de colaboração”, enumera Caroline Alberto.
Mas há mais vantagens. “Muitas vezes, o valor destas formações vai além do conteúdo teórico. O debate entre colegas, a diversidade de perspetivas e o acesso a diferentes realidades empresariais são extremamente enriquecedores”, refere.
A nível de formação, Portugal tem vindo a “evoluir”, contudo “ainda existe margem para aproximar mais a formação da realidade concreta do mercado de trabalho”, afirma.
Carlos Maia corrobora, acrescentando que é “fundamental reforçar uma cultura de aprendizagem contínua ao longo da carreira”. “Num contexto em que as competências se tornam rapidamente obsoletas, as organizações precisam de encarar a formação como um processo permanente e não como uma ação pontual”, afirma. Na sua perspetiva, é igualmente “importante desenvolver programas ágeis, flexíveis e orientados para impacto prático”.
No fundo, as empresas olham para esta formação, procurando-a cada vez mais com o intuito de conseguirem um “crescimento sustentável do negócio”, aponta Carlos Maia. Mas existem outros desafios, lembra o responsável da Hays, referindo que a escassez de competências continua a ser um “desafio estrutural”.

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