BlackRock limita levantamentos a 5% em fundo de crédito
A BlackRock é a mais recente gestora de ativos a limitar, no segundo trimestre, os levantamentos por parte dos investidores a 5% num dos seus fundos de crédito, avançou o Financial Times. Blackstone e Partners tomaram decisões semelhantes.
Em causa está o fundo HPS Corporate Lending Fund, avaliado em cerca de 13 mil milhões de dólares (11,1 mil milhões de euros). Os pedidos de resgates no segundo trimestre, de acordo com a publicação britânica, acabaram por ser superiores face ao trimestre anterior, e atingiram mais de 13% do total dos ativos.
Os investidores, no segundo trimestre, quiseram levantar 1,6 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) do fundo face aos 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) do primeiro trimestre. Em ambos os casos os pedidos de resgates ficaram acima do limite de 5%.
A gestora de ativos limitou os resgates aos 5%, no segundo trimestre, ou sejam a cerca de 615 milhões de dólares (529,5 milhões de euros).
Blackstone e Partners Group limitaram levantamentos no segundo trimestre
Este mês a Blackstone e o Partners Group já tinha anunciado que iriam limitar os levantamentos em vários dos seus fundos a 5%, depois de pedidos superiores ao limite máximo permitido.
A Blackstone restringiu os levantamentos no seu principal fundo de crédito, o Blackstone Private Credit Fund (BCRED), avaliado em 45 mil milhões de dólares (38,7 mil milhões de euros), pelas contas do The Telegraph.
Estas restrições surgem depois dos investidores no fundo terem pedido resgates de 10% do fundo, o equivalente a 4,5 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros), no segundo trimestre do ano.
“O principal foco do BCRED é proteger o valor para o acionista e gerar resultados sólidos para os investidores. A estrutura de recompra do Fundo proporciona liquidez aos acionistas, alinhada com o ciclo de reembolso esperado dos investimentos, preservando o capital para ser aplicado em ambientes de mercado atrativos”, disse a gestora de ativos, em declarações transcritas pelo The Telegraph.
A Partners Group anunciou que iria suspender os resgates do fundo Global Value SICAV a 5%, depois de pedidos de levantamento pelos investidores de 9,8%.
Outro fundo, gerido pela empresa, de private equity, teve pedidos de resgates de 6% do valor total do fundo. O Partners Group confirmou que em três fundos evergreen [fundos abertos ou semilíquidos], num valor total de 9,7 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros), houve pedidos de levantamento entre 3,5% e 5%. A gestora referiu que iria impor um limite de 5% caso existissem pedidos de resgates superiores.
“Os mecanismos de liquidez visam proteger os investidores de longo prazo e garantir que os retornos continuam a ser impulsionados pela qualidade dos ativos privados subjacentes, e não pela dinâmica de fluxo de curto prazo”, disse o CEO do Partners Group, David Layton, em declarações transcritas pela CNBC.
Primeiro trimestre viu saída de mais de 20,8 mil milhões em fundos de crédito
Esta decisão tomada pela Blackstone volta a colocar pressão sobre os fundos de crédito. No primeiro trimestre ‘voaram’ dos fundos de crédito privado 20,8 mil milhões de dólares (17,7 mil milhões de euros), avançou o Financial Times.
No primeiro trimestre a Blackstone anunciou que iria levantar o limite de resgates de fundos, no BCRED, de 5% para 7%, depois de pedidos de levantamentos dos investidores de 3,7 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros). Os pedidos de resgates representavam 7,9% do valor do fundo.
No primeiro trimestre, o Carlyle Group reportou pedidos de levantamento de 15% do seu principal fundo de crédito privado (Carlyle Tactical Private Credit Fund), que possui mais de sete mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros), ficando acima do limite máximo de 5%, por trimestre, que por norma é estabelecido por este tipo de fundo.
A Ares Management confirmou que iria limitar a 5% os pedidos de resgates no seu fundo de crédito (Ares Strategic Income Fund), que está avaliado em 22,7 mil milhões de dólares (19,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) quando recebeu pedidos que atingiam os 11,6%, no trimestre.
A Apollo limitou também a 5% os pedidos de resgates do fundo de crédito Apollo Debt Solutions, avaliado em 25 mil milhões de dólares (21,5 mil milhões de euros), quando recebeu pedidos de levantamento, no trimestre, de 11,2%.
A Blue Owl anunciou, em fevereiro, que iria vender 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em ativos de três dos seus fundos de crédito de modo a poder devolver dinheiro aos investidores e também para amortizar dívida.
E a BlackRock limitou a 5% o limite de resgastes de um dos seus fundos de crédito (HPS Corporate Lending Fund), após pedidos de resgate avaliados em 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros), no primeiro trimestre, o equivalente a 9,3% do total do fundo.
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