Em Oeiras, os “rock stars” são cientistas e investidores: município vai investir 30 milhões em ciência e tecnologia
A ambição de transformar Portugal numa referência global na economia do mar ganhou novo fôlego em Oeiras, durante mais uma edição dos Global Ocean Days que aconteceu hoje dia 15 no IPMA, em Algés promovido pelo Fórum Oceano. O evento serviu de palco para reforçar o papel do país como hub de inovação, investimento e desenvolvimento tecnológico ligado ao oceano.
Na abertura, Carlos Costa Pina, presidente do Fórum Oceano sublinhou que o projeto em curso “representa muito mais do que um investimento em infraestrutura”. Trata-se, afirmou, “de uma visão para o futuro da economia marítima, mais inovadora, mais tecnológica, mais colaborativa e preparada para competir à escala internacional”.
No centro desta estratégia está a criação de uma rede nacional de inovação para a economia azul, assente em hubs especializados e numa lógica de serviços partilhados. O objetivo é claro: “criar condições para que novas tecnologias, novos modelos de negócio e novas empresas encontrem em Portugal um ambiente favorável para testar, validar, escalar e chegar ao mercado”.
A abordagem passa por uma plataforma integrada — um verdadeiro “one-stop-shop” para inovação azul — que reúne universidades, centros de investigação, empresas, entidades públicas e investidores. “O nosso foco não é apenas fazer ‘matchmaking’, mas garantir que dele resultam investimentos e projetos empresariais concretos”, destacou o responsável.
Entre os indicadores apresentados, destacam-se 45 desafios de inovação lançados durante o evento, bem como um pipeline inicial de 18 startups avaliadas em cerca de 200 milhões de euros e 10 patentes prontas para serem convertidas em negócios.
Também José Guerreiro, Presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) reforçou o carácter internacional da iniciativa. “Trata-se de um projeto global, não apenas nacional”, que visa atrair jovens investigadores e empreendedores para um ecossistema distribuído por todo o território.
Entre os investimentos em curso, destaca-se a criação do Banco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos, em desenvolvimento em parceria com o Município de Oeiras. A infraestrutura deverá tornar-se um “hotspot” para áreas como robótica marinha, sistemas de observação e genética marinha, com equipamentos de sequenciação de ADN já em instalação.
O responsável salientou ainda que Portugal dispõe hoje de uma rede científica robusta, com mais de mil doutorados ligados à economia azul, cobrindo áreas que vão desde energias renováveis à biotecnologia. “Os empreendedores terão acesso a todos estes centros de excelência”, garantiu.
Do lado do poder local, Pedro Patacho, vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras destacou o papel do concelho como motor da inovação em Portugal. “Este é um lugar onde pessoas, ideias, talento e investimento se encontram”, afirmou, sublinhando que o município é já o segundo maior contribuinte para o PIB nacional, apenas atrás de Lisboa.
Nos próximos quatro anos, Oeiras prevê investir mais de 30 milhões de euros em ciência, tecnologia e inovação. Parte desse esforço materializa-se no desenvolvimento do projeto Oeiras Valley Ocean Campus, que ambiciona criar “a maior concentração de capacidade científica e de inovação dedicada à economia azul na Europa”.
O campus irá reunir investigadores, empresas, startups e infraestruturas de dados num ecossistema integrado, com o objetivo de acelerar a transformação de conhecimento em valor económico. “Aqui, os verdadeiros ‘rock stars’ são os cientistas e os investidores”, afirmou, numa referência simbólica à coexistência do projeto com o conhecido festival NOS Alive.
A aposta na economia azul é vista como um prolongamento natural da história marítima portuguesa. “No século XV, Portugal liderou o oceano com base na ciência e tecnologia. Devemos estar novamente à altura desse legado”, sublinhou o presidente do IPMA.
Com uma estratégia assente em colaboração, inovação e internacionalização, os promotores acreditam que o sucesso dependerá da capacidade de construir parcerias globais. “A economia do mar não tem fronteiras. O nosso foco é competir à escala internacional”, concluiu o responsável do Fórum Oceano.
O desafio está lançado: transformar o potencial científico e tecnológico em projetos concretos, capazes de posicionar Portugal na linha da frente da nova economia azul.
Share this content:



Publicar comentário