Maior acionista da Sonae investe 450 milhões para produzir combustível verde para navios
A família Azevedo, a maior acionista da Sonae, prepara-se para investir 450 milhões de euros num projeto para produzir metanol renovável.
O projeto HyMeOH da Capwatt, detida pela Efanor Investimentos, deverá gerar 110 milhões de euros de receitas anuais.
Por ano, vai ter capacidade máxima para produzir mais de 91 mil toneladas de metanol de origem renovável.
A fábrica vai ficar localizada na freguesia de Espinho, concelho de Mangualde, distrito de Viseu.
E para que serve o metanol renovável? Basicamente, para substituir os combustíveis fósseis usados na navegação marítima, um setor considerado ‘hard-to-abate’, isto é, difícil de descarbonizar.
O objetivo é que a unidade entre em funcionamento no último trimestre de 2029, após um período de construção de 39 meses, que deverá arrancar em julho de 2026.
A unidade HyMeOH vai empregar 86 trabalhadores diretos, indo funcionar em regime de 3 turnos, 24 horas/dia e 7 dias por semana. “Em regime normal, irá laborar 8 000 horas/ano, com um total de
cerca de 32 dias de paragem por ano”.
“No domínio económico, a concretização do Projecto HyMeOH representará um investimento de 450 milhões de euros, valor que constitui 8,9% do PIB gerado na região Viseu Dão Lafões (2023). Por outro lado, espera-se que o Projecto gere receitas anuais no
valor de 110 milhões de euros por ano (valor de cruzeiro), o que irá beneficiar o VAB regional e também nacional”, segundo a Capwatt no seu estudo de impacte ambiental.
O projeto foi “concebido de raiz para ser totalmente circular, em que o valor económico e a utilidade dos recursos são maximizados e os vários fluxos de resíduos serão transformados em novas matérias-primas. São exemplo, o uso de biomassa florestal residual e águas residuais tratadas como recursos principais na produção de metanol e a utilização de gases residuais para produzir parte da energia necessária ao processo, para além da valorização externa de outros materiais residuais, como as cinzas da gaseificação e o óleo fúsel da destilação do metanol”.
A energia elétrica verde para os processos industriais vai ter origem numa unidade de energia solar de auto-consumo (UPAC) a “construir em terreno adjacente à unidade HyMeOH e de energia eléctrica fornecida por terceiros, com garantia de origem”.
A central solar vai contar com mais de 61 módulos bifaciais, com 650 Wp de potência unitária, “baseada na tecnologia de silício cristalino, instalados numa estrutura fixa. Com uma potência instalada de 40,04 MWp, a UPAC irá produzir 62,18 GWh/ano de energia eléctrica”.
A unidade industrial também vai ser ligada à rede primária de distribuição de gás natural de média pressão, “que se desenvolve próximo da instalação”, um projeto que vai ficar a cargo da Floene, entidade concessionária da rede de distribuição.
A Capwatt foi constituída em 2008 para reunir as operações da Efanor no setor da energia. Atualmente, está presente em Portugal, Espanha, Itália e México detendo e operando 20 centrais de cogeração, 84 centrais fotovoltaicas, 1 parque eólico e 17 centrais de bioenergia.
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