Semapa tem mais de mil milhões de euros para investir em aquisições na Europa
A Semapa dispõe de mais de mil milhões de euros para financiar novas aquisições na Europa e está a analisar oportunidades em operações avaliadas entre 250 e 500 milhões de euros, podendo avançar para negócios de maior dimensão caso surja a oportunidade adequada. A informação foi avançada pelo presidente executivo do grupo, Ricardo Pires, numa entrevista à Bloomberg.
“A holding sediada em Lisboa, controlada pela família portuguesa Queiroz Pereira, está a considerar aquisições na ordem dos 250 milhões a 500 milhões de euros, ou superiores se surgir a oportunidade certa”, afirmou o CEO Ricardo Pires na entrevista.
Segundo o CEO, a Península Ibérica continuará a ser uma região estratégica para a empresa, mas a Semapa está também a olhar para outros mercados europeus. O grupo procura sobretudo empresas ligadas à indústria de fabrico para clientes empresariais (business-to-business), bem como negócios associados à transição energética e de recursos.
A estratégia surge depois da venda da participação na área do cimento, uma operação concluída em março, com a alienação da Secil à espanhola Cementos Molins por cerca de 1,4 mil milhões de euros, incluindo dívida. Com este encaixe, a holding portuguesa prepara-se para concretizar a maior aquisição dos últimos anos.
Ricardo Pires, que lidera a Semapa desde 2022, tem vindo a reposicionar o grupo para setores menos intensivos em capital e com menor pegada carbónica. Nos últimos anos, a empresa adquiriu a espanhola Imedexa, fabricante de torres para linhas de alta tensão, por 148 milhões de euros, e a Triangles, produtora de quadros para bicicletas elétricas, por 179 milhões de euros.
A venda da Secil à espanhola Cementos Molins foi concluída em março.
Apesar da venda da área do cimento (Secil), a Navigator continuará a ser o principal ativo estratégico e a maior fonte de resultados da Semapa, sublinhou o gestor à Bloomberg. Em 2025, as receitas do grupo recuaram 1,6%, para 2,11 mil milhões de euros, enquanto o lucro líquido caiu um terço, para 156,6 milhões de euros, refletindo em parte a alteração do perímetro de consolidação.
“As futuras aquisições terão provavelmente como alvo negócios menos cíclicos e com menor necessidade de ativos fixos, afirmou Pires. A Semapa também expandiu as suas atividades para investimentos de risco através da Semapa Next, que já apoiou dezenas de startups e empresas tecnológicas”.
A empresa, controlada maioritariamente pela família Queiroz Pereira, pretende privilegiar futuras aquisições em negócios menos cíclicos e mais leves em ativos. Em paralelo, tem reforçado a aposta no investimento em tecnologia através da Semapa Next, veículo que já investiu em dezenas de startups e que está atualmente a explorar oportunidades de coinvestimento com outros investidores.
A Semapa conta atualmente com uma capitalização bolsista próxima dos 1,9 mil milhões de euros, tendo as suas ações valorizado cerca de 43% nos últimos 12 meses.
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