Irão: China avisa que próxima fase das negociações com EUA “será mais complicada”
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês alertou hoje de que a próxima fase das negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, para alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na região, será “mais complicada”.
Wang Yi emitiu estas declarações agora, que Washington e Teerão acordaram um memorando de entendimento que será oficialmente assinado na sexta-feira, na Suíça.
Durante uma conversa telefónica com o homólogo paquistanês, Ishaq Dar, Wang indicou que “é possível prever” que haverá “mais dificuldades” após a assinatura e defendeu que o Conselho de Segurança da ONU “deve desempenhar um maior papel no apoio a estas conversações”.
“O consenso atual está longe de ser o ponto final. Em vez disso, é um novo ponto de partida”, esclareceu Wang, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
“Alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente e no Golfo Pérsico exige esforços substanciais de todos os lados”, sustentou o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês.
“Enquanto houver esperança de paz, o esforço vale a pena. Desde o início do conflito, a China tem cooperado com todas as partes, trabalhando ativamente para cessar os combates e promover a paz. Desde o início, a China apoiou firmemente o Paquistão, sublinhando a todas as partes que é um mediador fiável, e também tem cooperado com o Irão e os Estados Unidos, à sua maneira”, destacou.
O chefe da diplomacia chinesa salientou ainda que Pequim está disposta a trabalhar com o Paquistão para promover a paz.
“Acreditamos que as negociações não devem recuar, muito menos voltar ao uso da força”, vincou, acrescentando que “a viagem está apenas a meio, e o consenso atual está longe de ser o final”.
“O Médio Oriente sofreu enormemente por causa da guerra, e os seus habitantes merecem paz. A China está disposta a cooperar (…) para promover incansavelmente a paz e o diálogo, e a continuar a esforçar-se para restaurar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento na região o mais rapidamente possível”, concluiu.
Na conversa telefónica, os MNE de Pequim e Islamabad aproveitaram o marco diplomático que constituiu o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão para destacar o êxito do seu plano conjunto de cinco pontos para a paz e a estabilidade no Médio Oriente.
Ishaq Dar “reconheceu os importantes contributos de Pequim para a restauração da paz e da estabilidade regionais, especialmente a Iniciativa de Cinco Pontos entre o Paquistão e a China”, segundo um comunicado divulgado na rede social X.
Este plano, apresentado em conjunto pelos próprios Dar e Wang em março, na capital chinesa, instava à entabulação de negociações de paz imediatas para evitar uma escalada do conflito e exigia o restabelecimento da navegação no estreito de Ormuz.
O ministro paquistanês elogiou o constante apoio da China aos esforços de Islamabad para facilitar o diálogo e a diplomacia entre o Irão e os Estados Unidos.
A estreita coordenação entre ambos foi mantida durante todo o processo negocial, um período fundamental em que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também viajou até à China para consolidar a estratégia diplomática.
Por seu lado, o ministro chinês também agradeceu “o dinâmico trabalho diplomático do Paquistão e os seus sólidos esforços de mediação, que contribuíram para criar as condições propícias ao diálogo”.
Ambos destacaram a importância da aplicação dos acordos alcançados entre as partes e da manutenção de contactos contínuos para a resolução pacífica de todas as questões pendentes.
Islamabad desempenhou um papel central nas negociações, ao encarregar-se nas últimas semanas de servir de intermediário na troca de propostas de paz entre Washington e Teerão.
Desta intensa mediação resultou um memorando que põe fim a três meses e 16 dias de conflito entre os Estados Unidos e o Irão, um acordo que será oficializado na próxima sexta-feira na Suíça, durante uma cerimónia de assinatura presidida por Sharif.
A China, o principal aliado e parceiro comercial do Irão, adotou uma postura mais discreta nas negociações, mas reiterou em várias ocasiões a necessidade de resolver o conflito e evitar uma escalada.
Por fim, para além do Médio Oriente, os dois ministros aproveitaram a conversa para discutir os resultados da recente visita de Sharif à China e concordaram continuar a trabalhar em conjunto na segunda fase do Corredor Económico China-Paquistão (CPEC 2.0) para reforçar o investimento e a cooperação económica bilateral.
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