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Visa e Mastercard superam grandes bancos em lucro por empregado, segundo estudo da BestBrokers

Visa e Mastercard superam grandes bancos em lucro por empregado, segundo estudo da BestBrokers

A corrida à IA no setor financeiro está a entrar numa nova fase, com grandes redes de pagamentos, como a Visa e a Mastercard, a desenvolverem sistemas que poderão permitir que agentes de IA autónomos façam compras e transações em nome dos consumidores. À medida que as empresas investem fortemente nessas tecnologias para otimizar operações e impulsionar o crescimento, surge uma questão fundamental: quais as instituições financeiras que estão a gerar os maiores retornos com a sua força de trabalho? Para responder a isto a plataforma BestBrokers publicou um novo relatório sobre o lucro por funcionário nas maiores empresas do mundo e onde destaca as empresas financeiras que geram os maiores lucros por empregado.
O Net income per employee (NIPE)  é uma medida fundamental de eficiência, que capta a eficácia com que uma empresa converte a produtividade da sua força de trabalho em lucro. Ao contrário da receita por colaborador, mais adequada para comparações dentro do mesmo setor, o NIPE considera as despesas, os salários e os custos operacionais, tornando-se, na ótica da BestBrokers, uma métrica mais fiável para análises intersetoriais onde os modelos de negócio diferem, mas a rentabilidade continua a ser o denominador comum. Ao basear-se no resultado líquido anual, a medida reflete o desempenho ao longo de um ciclo económico completo, suavizando as distorções causadas pela sazonalidade, eventos pontuais ou oscilações de curto prazo na procura, como lançamentos de produtos ou picos impulsionados por feriados.
Segundo o estudo as empresas de pagamentos Visa e Mastercard geram mais lucro por funcionário do que gigantes bancários como JPMorgan Chase e Bank of America, segundo análise da plataforma BestBrokers divulgada esta segunda-feira.
A pesquisa analisou 200 empresas cotadas com maior capitalização de mercado e identificou 45 do setor financeiro. Entre elas, o Blackstone Group liderou com 1,14 milhão de dólares de lucro por colaborador, seguido pelo CME Group com 1,05 milhão de dólares e pela sueca Investor AB com 889.403 dólares.
A Visa e a Mastercard ocuparam a quarta e quinta posições, com  588.211 dólares e 376.884 dólares  por funcionário, respetivamente. Ambas operam com menos de 40.000 colaboradores. Em comparação, o JPMorgan Chase registou 183.576 dólares por funcionário e o Bank of America 143.058 dólares  apesar de lucros absolutos significativamente maiores.
O relatório destaca a divergência entre empresas de “capital leve” e bancos tradicionais intensivos em capital. Gestoras de ativos alternativos, bolsas de derivados e redes de pagamento conseguem escalar lucro com equipas enxutas. O Blackstone opera com 5.285 funcionários e o CME com 3.875, enquanto Visa e Mastercard combinam alta eficiência com escala global, segundo a BestBrokers.
Na outra ponta, o HDFC Bank, da Índia, gerou apenas 614 dólares por colaborador — mais de 1.500 vezes menos que o Blackstone. Capital One, com 32.149 dólares, e Mitsubishi UFJ Financial Group, com 56.169 dólares, também ficaram muito atrás dos líderes, apesar de integrarem o grupo das 200 maiores cotadas.
Berkshire Hathaway lidera em velocidade de geração de lucro
Em termos absolutos, a escala continua a dominar. A Berkshire Hathaway foi a mais rápida a gerar um milhão de dólares em lucro líquido, levando menos de 8 minutos. JPMorgan Chase surge em seguida com cerca de 9 minutos, seguido por ICBC com 10 minutos e China Construction Bank com 11 minutos.
A Visa, além da eficiência por funcionário, ficou em 12º lugar em lucro líquido total para o ano fiscal de 2025, com 20,06 mil milhões de dólares, segundo o estudo.
EUA dominam dois extremos do espectro
Os Estados Unidos concentram os dois arquétipos destacados: mega-bancos como JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo, e outliers de eficiência como Visa, Mastercard, CME, Blackstone e Interactive Brokers.
A China aparece em segundo lugar em representação, mas concentrada em banca comercial e seguros, com bancos estatais a mostrar forte lucro por funcionário apesar de quadros massivos.
A Europa tem uma presença fragmentada, com destaque para eficiência em seguros, gestão de património e holdings. Reino Unido, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e Suécia surgem com HSBC, Santander, Allianz, UniCredit, UBS e Investor AB, mas sem um campeão nacional de escala de plataforma.
IA acelera desconexão entre lucro e headcount
“A IA está a acelerar uma mudança que só agora começa a aparecer nos números”, afirmou Alan Goldberg, analista de dados principal da BestBrokers. “O que se destaca é o crescente desacoplamento entre rentabilidade e número de colaboradores. Modelos de capital leve conseguem escalar lucro com aumentos marginais muito limitados de pessoal”.
Alan Goldberg compara Visa e Mastercard a “utilitários de infraestrutura financeira” em vez de bancos tradicionais, limitados por compliance, gestão de risco e intensidade de balanço. “Já não se trata apenas de retorno sobre ativos, mas de quanto output económico é gerado por colaborador. Investidores estão a valorizar escalabilidade sem crescimento de mão de obra como característica premium”, acrescentou.
A metodologia da BestBrokers baseou-se em relatórios anuais oficiais das 200 maiores empresas por capitalização de mercado, dividindo receita e lucro líquido pelo total de funcionários. O conjunto de dados completo está disponível para consulta.
A BestBrokers é uma plataforma de pesquisa financeira, análise e comparação de dados.

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