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Bastidores do WRC: os heróis invisíveis que operam milagres no parque de assistência

Bastidores do WRC: os heróis invisíveis que operam milagres no parque de assistência

No Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), o medidor de sucesso estende-se muito além dos pilotos que enfrentam as classificativas. Por trás de cada vitória, existe uma elite de mecânicos que constrói, mantém e repara viaturas sob pressões temporais, muitas vezes, asfixiantes.Capazes de substituir uma caixa de velocidades em apenas dez minutos ou de cumprir uma revisão integral num quarto de hora, estes profissionais enfrentam jornadas exaustivas e abnegação pessoal, vivendo “de mala às costas” durante bem mais de 14 semanas por ano.
A realidade desta exigente carreira foi partilhada por Garry Barker, técnico-chefe da M-Sport Ford, que cumpre a sua 26º temporada na estrutura britânica. “Tem os seus desafios e não há duas formas de o dizer. Em última análise, é um estilo de vida e um grande compromisso”, revelou Barker no podcast WRC Backstories.

O ‘Milagre do México’: a maior reparação da história do WRCAo longo do seu percurso, iniciado no final da década de 1990, Barker trabalhou com campeões mundiais como Colin McRae, Carlos Sainz, Sébastien Ogier e Sébastien Loeb.Contudo, o maior teste à resiliência da equipa ocorreu no Rali do México de 2015, naquele que ficou imortalizado como o maior trabalho de assistência na história do campeonato, sob o fenómeno digital #RaisingTiTanak.
Na sequência de um despiste, o Ford Fiesta tripulado por Ott Tänak e Raigo Mõlder caiu num lago profundo, onde permaneceu submerso durante dez horas. Apesar da dupla ter nadado para a segurança e o carro parecer perdido, o líder da M-Sport, Malcolm Wilson, enviou mergulhadores para resgatar a viatura, determinado a colocá-la em prova no dia seguinte. “O carro passou dez horas no fundo do lago e o Malcolm ainda queria que o consertassemos. Estávamos todos a pensar que não haveria forma de o conseguir”, recordou Barker.
Engenho e união contra o relógio no parque de assistênciaA viatura chegou ao parque de assistência já no período noturno, restando apenas três horas para operar a reconstrução. Para secar os componentes internos encharcados, como os baquets, a equipa esvaziou um contentor de pneus e instalou um aquecedor industrial no seu interior.Mecanicamente, o desafio revelou-se colossal. O veio de transmissão tinha perfurado a zona traseira do bloco motor e todos os sistemas, incluindo o depósito de combustível, o turbo e o intercooler, estavam cheios de água.À exceção dos cabos elétricos principais e do motor em si, praticamente todos os componentes do Ford Fiesta foram substituídos sob o olhar estupefacto de equipas rivais, como a Volkswagen e a Citroën.
Perto da uma da manhã, após um breve momento de tensão em que o motor hesitou em arrancar, o carro ganhou vida e Tänak conseguiu terminar o rali. No pódio, o piloto estoniano celebrou com óculos de mergulho, homenageando o esforço da sua equipa. Esta mentalidade de superação será novamente posta à prova, talvez já na próxima semana, quando o pelotão enfrentar a dureza mecânica do Rali da Acrópole, na Grécia.
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