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Howden prepara IPO. CEO do Grupo admite que “o futuro eventual será o de uma empresa cotada”

Howden prepara IPO. CEO do Grupo admite que “o futuro eventual será o de uma empresa cotada”

Numa entrevista ao Expansión,  David Howden (Fundador e CEO do Grupo Howden) e Salvador Marín (CEO da Howden Iberia), admitem o caminho para um eventual IPO (entrada em Bolsa) da empresa.
A Howden Group, um dos maiores corretores de seguros do mundo, já desenha o seu horizonte estratégico a longo prazo com os olhos postos nos mercados de capitais, segundo revelaram os gestores na entrevista.
A Howden é um grupo global de corretagem de seguros, resseguros e gestão de riscos, com forte presença em Portugal através da Howden Insurance Portugal.
Na entrevista ao jornal espanhol, os gestores da multinacional de corretagem de seguros assumem o objetivo de avançar para um eventual IPO a longo prazo, mantendo em paralelo a aposta em aquisições seletivas na Península Ibérica e numa base sólida de acionistas internos.
Na entrevista, David Howden analisa a evolução do Grupo, as suas ambições futuras e o valor da construção de uma empresa sustentável a longo prazo. Salvador Marin, por sua vez, destaca o papel estratégico da Península Ibérica no crescimento internacional da Howden e as oportunidades que continuam a impulsionar o nosso desenvolvimento em Espanha e em Portugal.
David Howden, fundador e CEO do grupo, e Salvador Marín, CEO da Howden Iberia, clarificaram a visão de crescimento da empresa, destacando que o destino natural e eventual da multinacional britânica será a cotização em Bolsa.
IPO no horizonte sem pressas e aquisições seletivas em Espanha
“O nosso futuro eventual será o de uma empresa cotada”, afirmou David Howden na entrevista. No entanto, o líder do grupo assegura que este passo estratégico só será dado no “momento adequado”. Para o gestor, a transição para o mercado de capitais não colide com o modelo que tem sido o motor do seu sucesso: a forte componente dos trabalhadores na estrutura acionista combinada com investidores institucionais de longo prazo (como a General Atlantic, CDPQ e HgCapital).
Atualmente, cerca de um terço (33%) da empresa pertence à própria equipa. A ambição declarada de David Howden é alcançar receitas anuais de 10.000 milhões de libras (cerca de 11.500 milhões de euros) até 2030, ano em que prevê que cerca de metade dos colaboradores sejam também acionistas diretos do negócio.
Com um histórico robusto de crescimento inorgânico — traduzido em 67 aquisições de corretoras de seguros nos últimos tempos —, o foco na Península Ibérica permanece altamente estratégico. Salvador Marín sublinhou o dinamismo da Howden Iberia, que representa cerca de 15% do negócio europeu do grupo (excluindo o Reino Unido).
“Realizaremos compras seletivas”, garantiu Marín, apontando o desejo de reforçar a presença em regiões espanholas como a Catalunha, Levante, Andaluzia e Galiza, mas deixando claro que o foco ibérico se estende de forma muito especial a Portugal e a outras regiões onde continuam a analisar oportunidades de mercado de forma prudente e estratégica.
Questionado sobre o atual panorama macroeconómico, Salvador Marín reconheceu os desafios impostos pela inflação e pela volatilidade global, que têm forçado uma revisão generalizada das apólices e coberturas, especialmente em setores de ativos intensivos como a indústria e a construção.
No entanto, este cenário de incerteza tem impulsionado a procura por soluções altamente especializadas. Riscos cibernéticos, alterações climáticas e a dependência tecnológica continuam a ser áreas críticas onde a Howden pretende liderar, apoiando tanto grandes corporações como PMEs a mitigar disrupções e garantir a continuidade dos seus negócios.
O gestor explica que a Howden, com uma autonomia local consolidada e uma forte ambição global, “solidifica o seu posicionamento como um dos poucos corretores verdadeiramente globais com sede na Europa, preparando o terreno para uma futura estreia bolsista que promete marcar o setor financeiro internacional”.
Na entrevista os responsáveis traçam a evolução do grupo, desde uma empresa formada por três pessoas até um grupo de 25.000 profissionais em 57 países. “Crescimento impulsionado pelo talento, espírito empreendedor e um modelo diferenciado em que os nossos colaboradores são também donos do negócio”, dizem.

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