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SABIA QUE… Alessandro Bettega, o eco de um nome no Rali da Córsega

SABIA QUE… Alessandro Bettega, o eco de um nome no Rali da Córsega

Há estradas que guardam mais do que a simples memória de passagens velozes; encerram histórias de paixão, tragédia e destinos que se cruzam no tempo. O Tour de Corse, com o seu asfalto sinuoso e implacável, é um desses palcos míticos onde a história do desporto automóvel se escreve com contornos de lenda.
Há precisamente 20 anos, no AutoSport, um curta notícia breve referia a segunda jornada do Fiesta Sport Trophy, cujo triunfo pertenceu a um ‘certo’ Alessandro Bettega. Sim, é esse mesmo, filho de Atillio Bettega, piloto que não necessita de apresentações. Foi uma espécie de reencontro poético com o próprio legado familiar, pois como se sabe, o seu pai Attilio tinha ali morrido num acidente, 21 anos antes.

O encontro cósmico com o destino de 1985Para os entusiastas que carregam a saudade dos anos dourados do Grupo B, o apelido Bettega evoca instantaneamente a figura de Attilio Bettega, o malogrado piloto oficial da Lancia que perdeu a vida na Córsega durante a edição de 1985.
Voltar àquela ilha, enfrentar o mesmo traçado e desafiar o cronómetro exige uma coragem que transcende o simples desejo de vencer. Alessandro Bettega já competia na ilha desde 2001, no Trofeo Fiat Stilo, depois passou para o Punto S1600, em 2006 competia no Ford Fiesta Sporting Trophy, chegou a vir ao Rali de Portugal em 2007, no Algarve, no Junior WRC, mas a sua carreira embora prossiga até hoje, aos 45 anos Alessandro Bettega já só disputa um rali “de vez em quando”.Aos quatro anos, o rali levou-lhe o pai, mas com o volante na mão e o espírito do pai no coração, o rali é o seu tributo e o seu destino, desde esse momento.
Em 2006, no AutoSport lia-se que aos comandos do Ford Fiesta ST, o jovem italiano travou um duelo intenso e milimétrico com… Mathieu Biasion, um francês, primo de Miki Biasion, acabando por impor o seu ritmo e averbar o segundo triunfo consecutivo no troféu monomarca por uma vantagem de 20,8 segundos.
Nessa altura, ver o apelido Bettega vencer na Córsega foi, para a caravana do WRC um momento de uma espécie de justiça histórica e redenção desportiva. O jovem piloto, nascido em Trento no início de 1981, começara a dar os seus primeiros passos competitivos no início da década em competições da Fiat e Opel.Contudo, foi este triunfo em solo gaulês que verdadeiramente humanizou a sua caminhada, mostrando que a paixão automóvel se pode transmitir no sangue.A vitória de Alessandro Bettega provou que, mesmo quando o destino se assume cruel, o desporto encontra sempre uma forma de fechar os seus ciclos com dignidade.Nas bermas da Córsega, onde outrora se chorou a perda de uma lenda, celebrou-se nessa altura a continuidade de uma linhagem que recusa deixar apagar a sua chama nas páginas da história.
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