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Tudo começa com uma candidatura: como os produtores portugueses ganham escala

Tudo começa com uma candidatura: como os produtores portugueses ganham escala

Depois dos resultados alcançados nas duas primeiras edições, o programa torna-se agora mais inclusivo. Pela primeira vez, as candidaturas estão abertas a empresas portuguesas de qualquer dimensão, mantendo intacto o compromisso que esteve na sua origem: apoiar os produtores nacionais e contribuir para a dinamização das economias locais.
“Estamos muito gratos pela adesão e pelo feedback que temos tido com esta iniciativa. Nas edições anteriores foi possível ver o impacto real que este programa tem, não só na esfera empresarial, mas também nas economias locais. Com esta nova edição, renovamos o nosso compromisso para com os produtores nacionais”, afirmou Alexandra Borges, diretora-geral de Compras do Lidl Portugal, no lançamento da terceira edição do programa “Da Minha Terra, que decorreu no dia 9 de junho na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém.
Para o CEO do Lidl Portugal, Hélder Rocha, a forte ligação aos produtores nacionais é hoje uma das marcas distintivas da empresa. Com mais de três décadas de história em Portugal, o Lidl destaca-se como um motor estratégico de investimento e uma autêntica âncora de estabilidade para a economia nacional e para levar as empresas até novos mercados, reforçando o conceito de portugalidade no mundo.
O CEO do Lidl Portugal sublinhou a importância da iniciativa, lembrando que o Lidl tem sido um parceiro dos produtores nacionais desde que chegou a Portugal, em 1995, com a missão de oferecer “qualidade ao melhor preço”, mas também com a ambição de construir relações duradouras com os produtores nacionais.
Uma candidatura que salvou uma empresa
Alexandra Borges lembrou que a primeira edição do programa “Da Minha Terra” nasceu em 2020, no contexto pandémico, para ajudar as Pequenas e Médias Empresas (PME) a ultrapassar obstáculos numa época em que toda a economia dava uma reviravolta. Muitos empresários enfrentavam dificuldades sem precedentes, com quebras de atividade, limitações na distribuição e incerteza quanto ao futuro. Foi nesse cenário que o Lidl decidiu criar uma iniciativa que permitisse aproximar produtores e consumidores, abrindo um novo canal de comercialização para empresas que, muitas vezes, tinham uma forte implantação local, mas pouca capacidade para chegar expandir.
O objetivo era identificar produtos portugueses de qualidade e criar oportunidades de crescimento para empresas que, de outra forma, teriam mais dificuldade em chegar a novos mercados. Seis anos depois, os resultados alcançados mostram que o impacto foi muito além do inicialmente previsto.
“Não podemos pensar apenas no impacto direto deste programa”, sublinha a diretora-geral de Compras.
Há uma dimensão humana que escapa às métricas habituais:  as histórias de vida que o “Da Minha Terra” ajudou a reescrever, afirmando-se em alguns casos como “uma verdadeira tábua de salvação”.
Foi o que aconteceu à Casa Paixão, de Serpa, conhecida pelas suas queijadas artesanais e outros sabores tradicionais do Alentejo. A entrada no programa permitiu-lhe chegar a um mercado nacional que dificilmente alcançaria pelos seus próprios meios e transformar um pequeno negócio regional numa marca com presença em todo o país. O crescimento foi tal que a empresa registou um aumento de rentabilidade na ordem dos 400%.
Ana Paixão conta como, grávida, assim como a outra trabalhadora da empresa, se confrontou com os problemas trazidos pela Covid-19 de tal forma que chegou a pensar que iria mesmo fechar portas. Foi então que começou a procurar trabalho.
Num desses momentos, um colaborador do Lidl falou-lhe do programa “Da Minha Terra” e ela decidiu candidatar-se sem saber muito bem ao que ia.
Com o filho com apenas dez dias de vida, apresentou o seu projeto num pitch que preparou durante o caminho enquanto se concentrava na apresentação que uma amiga designer lhe tinha preparado. Hoje recorda o momento-chave em que se confrontou com o júri com humor e admite que, perante cada desafio ou oportunidade que lhe apresentavam, a resposta era sempre a mesma: “sim, conseguimos”.
“Fui um bocadinho ingénua, inicialmente não me apercebi da dimensão de tudo, pensei que estava a concorrer mais a nível local, mas a verdade é que se não tivesse arriscado a Casa Paixão já não estaria aberta. Foi desafiante, mas fomos sempre muito apoiados, foi a melhor coisa que me aconteceu e uma oportunidade gigante”, afirma Ana Paixão. Quando menos esperamos os sonhos podem tornar-se realidade. E “tudo começa com uma candidatura.”
Quando a tradição ganha escala
“Destemida”. É com esta palavra que Alexandra Borges caracteriza Ana Paixão, mas também Tânia Brás, da Padaria da Arrifana, e muitos dos empreendedores que decidiram aproveitar a oportunidade criada pelo programa.
As empresárias sabem que nos negócios não se pode ter medo. É preciso arriscar, embora sempre com os pés no chão. Tânia Brás procura as melhores palavras para procurar este equilíbrio: “Não podemos ter medo, mas também precisamos de ponderação”.
A Padaria da Arrifana é hoje um dos exemplos de como um pequeno produtor regional pode ganhar dimensão internacional sem perder a identidade. Conhecida pelas suas broas de limão e mel, broas de noz, biscoitos de manteiga e biscoitos de canela, entre outras iguarias, a empresa conseguiu levar os seus produtos além das fronteiras nacionais.
Através da parceria com o Lidl, chegou a mercados como a Alemanha, Finlândia e Roménia, só para citar alguns países, levando consigo sabores profundamente ligados à tradição portuguesa.
O crescimento levou a novos voos: foi necessário investir, modernizar equipamentos e reorganizar processos. Uma realidade que se repetiu em muitas das empresas apoiadas pelo programa. Em muitos casos, a necessidade de responder a um mercado mais alargado levou à expansão das instalações e à criação de novos postos de trabalho, contribuindo para dinamizar economias locais e fixar atividade económica fora dos grandes centros urbanos.
Um embaixador de Portugal no mundo
As histórias de Ana Paixão e Tânia Brás ajudam a perceber o impacto que o programa pode ter na vida das empresas que decidem arriscar.
Alexandra Borges destaca que “o Lidl Portugal é um embaixador de Portugal no mundo”. Nos últimos dez anos, a empresa contribuiu com mais de 770 milhões de euros para as exportações portuguesas.
Além de permitir a entrada de novos produtos nas suas lojas, o Lidl tem vindo também a abrir portas a mercados externos através da sua rede internacional, criando oportunidades de crescimento para empresas que, em muitos casos, nunca tinham exportado antes.
Produtos desenvolvidos por pequenas empresas portuguesas passaram a chegar a consumidores de vários países através da presença internacional do grupo, levando consigo não apenas os sabores e produtos, mas também a identidade dos territórios onde nasceram.
Uma rede para crescer em conjunto
Com a ambição de levar o apoio à produção nacional ainda mais longe, a terceira edição do “Da Minha Terra” apresenta-se não só mais abrangente, mas também colaborativa. Um dos focos é a cooperação. Ao longo do ano serão promovidos vários momentos de encontro destinados à partilha de experiências, conhecimento e contactos, facilitando a integração dos novos fornecedores.
O programa organiza-se em quatro categorias principais: “Herança”, dedicada a queijos e enchidos DOP, IGP ou regionais; “Tradição”, que inclui bolos, biscoitos e doçaria conventual; “Essência”, centrada em azeites, vinagres, condimentos e molhos; e “Inovação”, a grande novidade desta edição, destinada a produtos inovadores desenvolvidos em Portugal.
As áreas de frutas, legumes e vinhos mantêm os canais habituais de fornecimento e contacto da empresa.
Segundo Alexandra Borges, o objetivo passa por criar um ecossistema cada vez mais colaborativo entre fornecedores, promovendo a entreajuda e a troca de experiências entre empresas que enfrentam desafios semelhantes.
O CEO do Lidl Portugal, Hélder Rocha, acredita que programas como o “Da Minha Terra” continuarão a desempenhar um papel importante no crescimento de empresas regionais, permitindo que produtos locais cheguem a novos consumidores sem perder a sua identidade. Através de programas como o ‘Da Minha Terra’, o Lidl continuará a ser o acelerador que permite aos produtores portugueses e empresas regionais ganhem escala nacional e internacional, com o seu devido reconhecimento.” E conclui: “O Lidl Portugal tem o coração em Portugal e os olhos no mundo.”
As candidaturas ao programa “Da Minha Terra” estão abertas até 31 de julho no site do Lidl Portugal. O processo de seleção terá em conta critérios de qualidade, potencial dos produtos e capacidade de fornecimento. Os projetos selecionados terão a oportunidade de colocar os seus produtos à venda nas lojas Lidl, identificados com a chancela “Da Minha Terra”.
 

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