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Entraves regulatórios travam investimento azul

Entraves regulatórios travam investimento azul

Portugal parte de uma posição estruturalmente favorável para se afirmar como uma das economias europeias de referência na área do mar. A dimensão da sua zona económica exclusiva, a localização atlântica e a forte tradição marítima sustentam um potencial significativo , embora persistam entraves administrativos e regulatórios que condicionam o investimento e a velocidade de crescimento.
A economia azul é já uma componente relevante da atividade económica nacional. Integra cerca de 65 mil empresas e emprega 137 mil trabalhadores. Gera um volume de negócios de 15,7 mil milhões de euros e um valor acrescentado bruto de 6,4 mil milhões, representando ainda apenas 3% a 4% da economia portuguesa, o que evidencia margem de expansão.
“A dinâmica tem sido marcada por crescimento e diversificação, impulsionados pela inovação tecnológica, novas cadeias de valor ligadas ao oceano e pela aposta na sustentabilidade. Em vários segmentos, o setor regista taxas de crescimento superiores a 20% ao ano, colocando Portugal entre os países europeus mais dinâmicos”, diz Madalena Oliveira e Silva, presidente do AICEP na sessão de abertura da Assinatura de um protocolo entre o AICEP e o Fórum Oceano.
Contudo, a responsável adverte que este potencial contrasta com um enquadramento regulatório descrito como complexo, fragmentado e pouco previsível. Processos de licenciamento morosos, dispersão legislativa e incerteza jurídica continuam a ser apontados como principais entraves ao investimento, sobretudo estrangeiro.
É neste contexto que se insere um estudo que está a ser realizado pela Ernest & Young e pelo Fórum Oceano sobre obstáculos administrativos e regulatórios ao investimento direto estrangeiro na economia do mar. A primeira fase centra-se num diagnóstico detalhado, com revisão da legislação nacional e internacional e identificação das normas com maior impacto, bem como dos setores mais afetados.
A segunda prevê a análise de boas práticas internacionais na promoção do investimento na economia azul para retirar lições aplicáveis ao contexto português e definir recomendações orientadas para a simplificação regulatória e maior previsibilidade do enquadramento legal. O processo inclui uma auscultação a entidades públicas e privadas, investidores e clusters do setor, para validar constrangimentos e recolher evidência do terreno. O estudo culminará num workshop com stakeholders, onde serão debatidas e priorizadas as barreiras e delineadas propostas de atuação.
Madalena Oliveira e Silva enquadra a economia do mar como um setor estratégico, sublinhando a importância de reduzir fricções administrativas e aumentar a previsibilidade para investidores internacionais.
 

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