Pressão sobre Starmer para se demitir deixa futuro dos Trabalhistas e do Reino Unido em aberto
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está sob intensa pressão para se demitir e espera-se uma declaração sobre o seu futuro na segunda-feira, mas o processo de sucessão pode levar semanas ou meses.
O jornal Observer foi o primeiro a avançar, no domingo, que Starmer ia “definir um calendário para a sua saída” na segunda-feira, seguindo-se notícias nesse sentido por outros meios de comunicação britânicos.
O ministro da Economia britânico, Peter Kyle, não desmentiu, em entrevista às estações Sky News e BBC, confirmando que Starmer consultou uma série de pessoas nos últimos dias e estava a “refletir sobre as realidades políticas, os desafios e as oportunidades com que se confronta”.
Kyle fazia uma referência à eleição do presidente da câmara de Manchester, Andy Burnham, como deputado por Makerfield na sexta-feira, posição que lhe permite concorrer à liderança dos Trabalhistas (Labour) numa eleição interna.
O tom deste aliado do primeiro-ministro foi mais cauteloso do que aquele usado por Starmer na sexta-feira, quando reiterou que não pretendia demitir-se e pretendia recandidatar-se se fosse desafiado.
“Vamos encontrar uma forma para que, aconteça o que acontecer, exista um processo funcional”, garantiu Kyle.
Se Keir Starmer se demitir de líder do Partido Trabalhista, inicia-se o processo de uma eleição interna, cujo calendário será determinado pelo comité nacional.
Os candidatos à sucessão terão de ter o apoio de pelo menos 20% do grupo parlamentar do ‘Labour’, ou seja, 81 entre os atuais 403.
Depois de uma vitória confortável em Makerfield com 55% dos votos, Andy Burnham é considerado por analistas e imprensa o favorito. Se não tiver adversários, poderá ser “coroado” rapidamente.
Mas o antigo ministro da Saúde Wes Streeting já declarou a intenção de concorrer e outros candidatos podem ainda surgir, prolongando o processo.
Desde 2018, é também requerido que os candidatos obtenham o apoio de 5% das concelhias trabalhistas ou de pelo menos três entidades afiliadas do partido, como sindicatos.
Os candidatos são depois sujeitos ao escrutínio dos militantes, que votam nos candidatos de ordem de preferência. O vencedor será aquele com mais de 50% dos votos.
O Partido Trabalhista reúne-se em congresso de 27 a 30 de setembro, pelo que a eleição e preparativos para a transição podem acontecer durante as férias parlamentares de verão.
Só após ser encontrado um sucessor é que Starmer vai apresentar a demissão ao Rei, que chamará então o líder do Partido Trabalhista para formar governo enquanto líder do partido com maioria parlamentar.
Keir Starmer foi eleito há 23 meses com uma maioria absoluta nas eleições legislativas, mas o mandato como primeiro-ministro tem sido marcado por controvérsias e recuos políticos.
A mais grave foi a nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos Estados Unidos, apesar de saber que Mandelson manteve contacto com o pedófilo norte-americano Jefrey Epstein depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma menor de 14 anos.
Posteriormente, os maus resultados nas eleições locais e regionais de maio desencadearam uma série de demissões no Governo e declarações de cerca de 100 deputados a pedir a saída do atual primeiro-ministro.
Starmer é bastante impopular junto de grande parte da população e o Partido Trabalhista caiu nas sondagens, lideradas pelo Partido Reformista, formação populista de direita anti-imigração, há quase dois anos.
O potencial sucessor de Starmer será o sétimo primeiro-ministro em 10 anos.
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