Regresso à normalidade?
Vamos admitir que o acordo provisório entre os EUA e o Irão se mantém, pelo menos na componente da abertura do estreito de Ormuz, não obstante os recuos de última hora.
Apesar da disrupção na produção de energia, as reservas existentes, nos mais variados países, poderão ser suficientes para permitir uma estabilização dos fornecimentos e uma redução muito significativa dos preços da energia, mesmo que não se atinjam já as cotações que vigoravam no final de Fevereiro.
A queda dos preços da energia permitiria uma forte e rápida diminuição da inflação, para valores próximos dos verificados antes do conflito. Os efeitos indirectos nos preços também se deverão dissipar, as expectativas de inflação deverão arrefecer e as recentes subidas de taxas de juro pelos bancos centrais, incluindo o BCE, não precisarão de ser continuadas e poderão até ser revertidas dentro de não muito tempo.
No entanto, também tem que se acrescentar que a “normalidade” deverá estar afectada por três factores. Em primeiro lugar, a incerteza em relação a uma pacificação duradoura entre os EUA e o Irão, sobretudo na livre circulação pelo estreito de Ormuz, tendo em conta a instabilidade da actual liderança norte-americana.
Em segundo lugar, a subida de taxas de juro já ocorrida deverá atrasar a recuperação, para além do arrefecimento do consumo e do investimento, na sequência da incerteza já referida.
Em terceiro lugar, o investimento em Inteligência Artificial, incluindo a construção de infra-estruturas, instalações e equipamentos, cujos efeitos têm sido mais intensos e em mais rápida progressão nos EUA, tem estado a mudar a “normalidade”.
Para além disso, o fracasso na aventura no Irão, a proximidade das eleições intercalares de 3 de Novembro e as más perspectivas eleitorais do partido republicano poderão levar Trump a mais uma nova “surpresa”, para tentar recuperar das perdas recentes.
Parece altamente provável que haja mais uma jogada arriscada, restando perspectivar qual será. Talvez mais importante, será uma acção de impacto muito localizado, como a intervenção na Venezuela, ou de repercussões globais, como as tarifas e o ataque ao Irão? Será em Cuba, na Gronelândia ou noutro local? Deixo ao leitor a palavra.
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