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Ex-ministro de Pedro Sánchez condenado a mais de 23 anos de prisão por corrupção

Ex-ministro de Pedro Sánchez condenado a mais de 23 anos de prisão por corrupção

O ex-ministro dos Transportes de Espanha José Luis Ábalos foi hoje condenado a 23 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia.
Além de Ábalos, que integrou executivos do atual chefe do Governo, Pedro Sánchez, foram julgados e condenados neste caso o antigo assessor do ex-ministro Koldo García (19 anos e oito meses de prisão) e o empresário Victor de Aldama, que colaborou com a justiça e confessou os crimes (quatro anos e meio de prisão suspensa).
Ábalos e Kolgo García foram condenados por “organização criminosa, corrupção, peculato e tráfico de influências” e Victor de Aldama por “organização criminosa e corrupção”, com o empresário a receber a “atenuante muito qualificada de colaboração com a justiça”, revelou num comunicado o Tribunal Supremo de Espanha, instância onde foram julgados por os crimes terem ocorrido quando um dos acusados era ministro.
“A sentença, adotada por unanimidade, conclui que os três acusados formavam uma organização criminosa com distribuição de funções que cometeu graves delitos de corrupção”, segundo o mesmo comunicado do tribunal, que deu como provados delitos na adjudicação de contratos para compra de máscaras durante a pandemia de covid-19 por empresas públicas no valor de 13 milhões de euros, assim como uma “remuneração mensal de 10.000 euros” a Ábalos por parte de Aldama em troca de diversos favores, influências e adjudicações de contratos.
O tribunal deu ainda como provados crimes relacionados com a contratação de duas mulheres conhecidas do ex-ministro, o pagamento do apartamento onde uma delas vivia e o arrendamento de casas no sul de Espanha, para usufruto de Ábalos.
No mesmo comunicado, a instância judicial destacou “a grave deterioração da confiança cidadã no sistema político que provoca a corrupção, que mina a arquitetura democrática do Estado”.
O Ministério Público espanhol tinha pedido, nas alegações finais no julgamento, em 04 de maio, 24 anos de prisão para José Luis Ábalos.
Antigo “braço direito” de Pedro Sánchez, o ex-ministro foi também dirigente do Partido Socialista Espanhol (PSOE).
José Luis Ábalos, Victor de Aldama e Koldo García foram julgados em Madrid acusados de suborno, tráfico de influências, desvio de dinheiro público, integração em organização criminosa, uso e aproveitamento de informação privilegiada, falsificação e prevaricação.
O Ministério Público argumentou que os três, aproveitando a posição que Ábalos e Koldo García tinham então no Governo e no PSOE, levaram organismos públicos e empresas públicas a comprar material sanitário durante a pandemia da covid-19 e obtiveram comissões ilegais.
Esta investigação originou outro processo mais alargado, ainda em curso, em que estão a ser investigadas suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE, relacionadas com eventuais comissões na adjudicação de obras públicas.
Ábalos foi ministro entre 2018 e 2021 e, perante as suspeitas de corrupção, foi expulso do PSOE em 2024.
Foi um dos dirigentes do PSOE mais próximos de Sánchez, por fazer parte do núcleo duro que o acompanhou no percurso até à liderança do PSOE (em 2017) e do Governo (em 2018).
O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver “indícios muito graves” de corrupção envolvendo antigos dirigentes do PSOE, pediu desculpa e perdão aos espanhóis e aos militantes da força política, mas tem reiterado que o partido é “uma organização limpa” e não há suspeitas de financiamento ilegal.
Durante este julgamento, o empresário Victor de Aldama envolveu Pedro Sánchez e o PSOE nos crimes que confessou, dizendo que Kolgo García lhe garantiu que “parte desse dinheiro [das comissões ilegais] ia para o financiamento do Partido Socialista” e que Sánchez “sabia tudo”.
Aldama disse que “se havia uma hierarquia nessa banda organizada”, como defendeu a investigação judicial, Sánchez estaria no “primeiro nível”, seguindo-se Ábalos, Koldo e ele próprio, no “quarto nível”.
O PSOE acusou o empresário de mentir, sublinhou que não apresentou qualquer prova e reiterou “total colaboração” com a justiça e “disponibilidade absoluta” para esclarecer qualquer dúvida.

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