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Coface vê barril de petróleo entre os 75 dólares e os 90 dólares com normalização no Médio Oriente

Coface vê barril de petróleo entre os 75 dólares e os 90 dólares com normalização no Médio Oriente

O preço do barril de petróleo deve oscilar entre os 75 dólares e os 90 dólares num cenário de normalização do Médio Oriente, anteviu o responsável de Análise de Risco Social e Político, Ruben Nizard, na apresentação das perspetivas da Coface para o segundo semestre.
Ruben Nizard admitiu poderem-se sentir algumas fricções ao nível dos stocks e da oferta depois do choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente. Essas fricções podem ser políticas, em concretas ligadas com as negociações  que estão a decorrer e que visam resolver o conflito.
A Coface traçou também os seus cenários base, otimista, e pessimista.
A seguradora dá uma chance de 70% de se concretizar o seu cenário base. Este traduz-se numa política monetária mais hawkish [mais agressiva] por parte dos bancos centrais, numa subida anual de 50% no preço do gás e do petróleo devido à disrupção de fluxos de energia, com o restock, e com as disrupção em várias cadeias de abastecimento, referiu o economista chefe do grupo, Jean-Christophe Caffet.
Ao cenário otimista é atribuída uma chance de 15%. Neste cenário espera-se uma abertura rápida do Estreito de Ormuz e não existir grandes danos nas estruturas de petróleo e gás. Os choques serem amparados pelos buffers ao nível dos inventários. Neste cenário espera-se um pico temporário na inflação, não existirem grandes disrupções nas cadeias de abastecimento, e também ‘cabeça fria’ dos bancos centrais.
Ao cenário adverso é atribuído uma chance de 15%. Neste cenário inclui-se uma subida de 100%, em termos anuais, no preço do gás e petróleo provocado pelo encerramento do Estreito de Ormuz, disrupção das cadeias de abastecimento, subida da inflação em termos globais, e uma grande subida nas yields de curto e longo prazo, e ainda uma subida dos riscos devido a efeitos de spillover.
O responsável pela pesquisa macroeconómica da Coface, Bruno Fernandes, admitiu existir um ambiente económico “mais complexo” do que há quatro meses, quando ainda não tinha rebentado o conflito no Médio Oriente.
Este contexto levou a que a Coface fizesse um downgrade, ao nível do risco país, para o Cambodja, Indonésia, Kuwait, Madagascar, Malásia, Filipinas, Tanzânia, e Vietnam. Estes downgrades devem-se a vários motivos entre os quais a exposição que estes países possuem nas áreas da energia e dos fertilizantes à região do Médio Oriente.
Ao nível das insolvências a perspetiva da Coface é que se verifique uma subida de 6% em 2026 e de 5% em 2027.
O economista da Coface, Jonathan Sttenberg, salientou que no primeiro trimestre se verificou uma subida de 12% nas insolvências, com os Estados Unidos a terem uma grande influência a esse respeito ao registarem um crescimento de 22% no primeiro trimestre.
Jonathan Sttenberg salientou que o impacto da descida do crescimento económico para os Estados Unidos tem também influência ao nível das insolvências.
O economista referiu que as empresas norte-americanas estão a apresentar dicotomias. Por um lado as grandes empresas estão a apresentar grandes números enquanto que as pequenas e médias empresas “estão em dificuldades” algo que se estende também para o crescimento.
“O ambiente empresarial degradou-se, o sentimento também. Existe uma pressão de custos, devido à energia e às outras matérias-primas que saem do Estreito de Ormuz”, referiu o economista.
Quanto ao Reino Unido, com a demissão do primeiro-ministro Keir Starmer, e a possível chegada ao poder de Andy Burnham, Jonathan Sttenberg salienta que os grandes problemas da economia britânica “continuam a ser os mesmos”.

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