FMI prevê saldo orçamental nulo em Portugal em 2026 e 2027
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o saldo orçamental de Portugal será nulo este ano, o que compara com a previsão de um défice de 0,1% do PIB em abril.
“A posição orçamental deverá estar amplamente equilibrada em 2026”, projeta o FMI, no relatório sobre a missão do Artigo IV, salientando que o “impacto dos gastos relacionados com tempestades é estimado preliminarmente em cerca de 0,3% do PIB”.
Além dos apoios para as tempestades, o Governo também aplicou o desconto no ISP devido à subida dos preços na energia e há outras medidas previstas no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), que incluem, por exemplo, novos cortes no IRS.
O FMI salienta que o OE2026 ajudará a lidar com os choques recentes, mas alerta que a postura expansionista “pode agravar as pressões inflacionistas”.
A instituição considera ainda que manter posições orçamentais amplamente equilibradas no médio prazo, como o Governo projeta, vai exigir medidas adicionais de compensação.
Tendo em conta as pressões de depesa decorrentes do envelhecimento, os aumentos planeados nos gastos com defesa para atingir a meta da NATO de 3,5% do PIB até 2035 e o impacto permanente das reduções de impostos recentes e planeadas, a equipa do FMI projeta défices crescentes a partir de 2028, pelo que “são necessárias medidas compensatórias para atingir as metas”.
Já o Governo, que foi consultado nesta missão do Artigo IV, disse, segundo o relatório, concordar com muitas das recomendações de política orçamental da equipa do FMI, mas “confia que orçamentos equilibrados podem ser alcançados no médio prazo sem medidas adicionais de poupança”.
O executivo também projeta um saldo nulo este ano, previsão atualizada em abril no relatório anual de progresso enviado a Bruxelas.
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