Hyundai aposta na terra para anular desvantagem após primeira metade do WRC frustrante
A Hyundai Shell Mobis World Rally Team entra na segunda metade da temporada de 2026 do Campeonato do Mundo de Ralis com foco absoluto numa reviravolta nos pisos de terra batida. Apesar de ocupar a segunda posição no mundial de construtores e de já ter somado uma vitória e três pódios, a formação sul-coreana enfrenta um pesado défice de 127 pontos para a líder Toyota Gazoo Racing.
Com o campeonato a chegar ao seu equador, a margem de erro é praticamente nula para manter vivas as aspirações aos títulos mundiais. Atualmente, a Hyundai contabiliza 243 pontos na tabela de marcas. No plano individual, Adrien Fourmaux surge como o piloto mais bem posicionado da equipa, em sexto lugar com 89 pontos — a escasso um ponto de Sébastien Ogier —, enquanto Thierry Neuville ocupa a sétima posição com 73 pontos.No terceiro carro partilhado, Hayden Paddon e Esapekka Lappi somam 21 pontos cada, com Dani Sordo a acrescentar 10 pontos ao pecúlio da estrutura.
Da desilusão na Croácia à redenção em PortugalA reestruturação da equipa para 2026, focada em Neuville e Fourmaux a tempo inteiro, trouxe momentos de velocidade pura, mas a consistência necessária para travar a armada da Toyota tardou em surgir. O Rali de Monte-Carlo e o Rali da Suécia traduziram-se em jornadas de limitação de danos, antes de o Rali Safari, no Quénia, dar o primeiro sinal de encorajamento com o brilhante segundo lugar de Fourmaux.A ronda que mais feriu a comitiva foi o Rali da Croácia. Thierry Neuville liderava com autoridade no asfalto até que, a poucos quilómetros do fim da Power Stage, foi surpreendido por gravilha na estrada, colidindo e abandonando a prova.O pódio herdado por Paddon (terceiro) soube a pouco perante a vitória perdida. A resposta emocional e desportiva surgiu no Rali de Portugal. Numa demonstração de resiliência e pressão constante, Neuville e o navegador Martijn Wydaeghe conquistaram uma vitória categórica, selando o 35.º triunfo da Hyundai Motorsport no WRC.
Após o rali, o belga foi claro sobre o significado do resultado: “Precisávamos de responder”, sublinhou, após um fim de semana em que Fourmaux também brilhou com cinco vitórias em especiais. Alívio com o fim do asfalto e otimismo na terra batidaContudo, a passagem pelo Rali do Japão funcionou como um choque de realidade, com os i20 N Rally1 a denotarem forte falta de equilíbrio e tração dianteira no asfalto nipónico.Confrontado com o quinto lugar, Adrien Fourmaux admitiu com honestidade que terminar a ronda de Tóquio era “um alívio” devido ao encerramento definitivo das provas em asfalto na presente temporada. Neuville corroborou a opinião, apontando os troços de terra como a oportunidade ideal para reiniciar adequadamente a sua campanha.
A partir do EKO Acrópole Rally Greece, o calendário assume uma sequência exclusiva de sete ralis em terra, uma superfície teoricamente mais favorável ao Pacote Técnico da Hyundai. O Diretor Desportivo, Andrew Wheatley, assumiu que a meta passa agora por discutir regularmente os pódios em pisos onde os pontos fortes do carro se evidenciam. Perante maratonas duras como a Grécia, o Paraguai ou o Chile, a Hyundai terá de traduzir o seu potencial em resultados limpos se quiser travar o favoritismo da Toyota.
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