O IPO da SpaceX
A aventura espacial era conduzida pelas agências públicas, como a NASA americana. Elon Musk virou o jogo e pôs uma empresa privada que ele criou, a SpaceX, a lançar foguetões para o espaço, sendo esses foguetões reutilizáveis. Ou seja, são recuperados e fazem várias viagens ao espaço, passando depois a voar de forma rotineira, o que obviamente vem embaratecer os lançamentos.
Vários amigos o tentaram dissuadir de criar a SpaceX, e ele próprio admitiu que as hipóteses de sucesso eram inferiores a 10%. Começou com o foguetão Falcão 1, foi até ao Falcão 9 e tem agora o Starship. Teve alguns falhanços em lançamentos, mas parece ter agora a tecnologia dominada.
A SpaceX incorpora ainda o serviço de internet Starlink, com os satélites de comunicações que a empresa lançou para o espaço, supervisiona os desenvolvimentos de inteligência artificial conduzidos por Musk e tem ainda a rede social X.
Com o IPO (Inicial Public Offering), a SpaceX entrou no top 5 das empresas mais valiosas da bolsa americana. Curiosamente, houve alguma volatilidade no preço das ações das chamadas 7 magníficas (onde está também a “sua” Tesla), o que indicia que alguns investidores destas empresas poderão ter desinvestido nelas vendendo ações para irem ao IPO da SpaceX.
Duas questões interessantes se põem agora. Será que a Tesla entrará no universo SpaceX numa segunda fase de consolidação do império Musk? Será que a Blue Origin, empresa de foguetões do homem da Amazon, Jeff Bezos, que tem tido um desempenho operacional inferior à SpaceX, conseguirá emular esta?
O sucesso da SpaceX representa bem o ADN americano. O setor privado também consegue entrar em setores que se pensava estarem reservados ao Estado; e ainda o fabuloso mercado de capitais americano, onde os investidores americanos aceitam e investem em projetos com muito risco, como a SpaceX, ao contrário dos europeus que preferem os depósitos a prazo na banca…
Bem pode a Comissária europeia Maria Luísa Albuquerque tentar dinamizar a União de Poupanças e Investimento, mas será difícil vencer as barreiras culturais e as outras que continuam a existir na Europa.
Será que este IPO da SpaceX sinaliza um novo superciclo de investimentos, financiado pelo mercado de capitais americano? Outros IPO se perfilam com os da Meta, da Alphabet, empresa mãe da Google, da Antropic e da Open AI. Teremos empresas no domínio do espaço, inteligência artificial e defesa muito activas.
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