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Cabo Verde: “tubarões azuis” juntaram duas gerações para surpreender o mundo

Cabo Verde: “tubarões azuis” juntaram duas gerações para surpreender o mundo

A seleção de futebol cabo-verdiana estreou-se no Campeonato do Mundo a empatar com o peso-pesado Espanha, e tenta esta madrugada (sábado à 1h00 da manhã) mais um apuramento histórico com o último jogo da fase de grupos.
A “surpresa do Mundial”, tem-se ouvido nas últimas semanas, “mas só para quem não conhece o trabalho de 15 anos que foi feito em Cabo Verde”, diz ao JE Ricardo Monsanto, selecionador nacional de São Tomé e Príncipe, que acredita que, sendo dada continuidade ao projeto, “e com esta capacidade de crescimento”, os cabo-verdianos estarão nos Campeonatos do Mundo de 2030 e 2034.
A equipa dos “tubarões azuis”, que chegou aos Estados Unidos posicionada em 67.ª no ranking da FIFA e subiu para a 64.ª posição após o jogo com a seleção espanhola, “fez um excelente trabalho de paciência, recrutamento e formação de seleção nacional”, sublinha o treinador português.
“Tudo o que foi semeado está a ser colhido agora. O antes deste Mundial durou 15 anos, um projeto que teve de crescer muito e juntou duas gerações que agora aparecem no seu melhor momento”, analisa Ricardo Monsanto.
“Existe a geração mais antiga do início do projeto que se reformará a seguir a este Mundial e com glória, pois empataram com dois campeões do mundo, Espanha e Uruguai. Depois existe a geração mais nova que está em crescendo e sustentará a geração seguinte que está já a aparecer.
De acordo com Ricardo Monsanto, que assumiu a seleção são-tomense há sete anos, “o futuro do futebol em Cabo Verde poderá ser brilhante assim o país queira investir em infraestruturas à imagem do que investiu na formação desta geração. Temos de parabenizar a equipa técnica pelo trabalho realizado, em especial o selecionador Pedro Brito (Bubista) e o adjunto Filipe Neto, assim como os restantes elementos que proporcionam este trabalho brilhante”.
Numa leitura geral sobre o futebol africano, que Ricardo Monsanto diz “levar um futuro brilhante”, aponta num primeiro momento a Marrocos, que está no topo do mundo, logo atrás do Brasil e duas posições de avanço sobre Portugal.
“É incrível o investimento que tem sido feito por Marrocos no futebol, em especial nas suas academias. O Senegal calhou no “grupo da morte” mas se vencer o Iraque ainda pode ser qualificado”.
Passando ao Gana comandado por Carlos Queiroz, que empatou com Inglaterra, Ricardo Monsanto diz que “o Mestre dos Campeonatos do Mundo está a fazer um trabalho fantástico”. “Este grupo de Thomas Partey, Ayew e companhia tem potencial para, pelo menos, chegar aos quartos-de-final”.
“A África do Sul provou que não há impossíveis e venceu a Coreia, irá apanhar o Canadá no play-off, e chegar aos oitavos-de-final é perfeitamente possível. A Costa do Marfim já é uma grande potência e o jogo com a Alemanha provou isso mesmo. O Egito é o líder do seu grupo e Mohammed Salah com os “faraós” tudo irão fazer para provar o que vale esta geração. A Argélia está encaminhada e um empate frente à Áustria deverá chegar. Avisei que a República Democrática do Congo (RDC) ia complicar a vida a Portugal e Colômbia; jogou muito bem nesses dois jogos e agora só tem de vencer o Uzbequistão”, analisou.
Para Ricardo Monsanto, a “grande decepção” é a Tunísia. A justificação: “o despedimento do selecionador depois da derrota com a Suécia foi mal gerido. O jogo inaugural correu mal mas o trabalho era fantástico; deu um tiro nos pés e no futebol não há milagres”.
Resposta à UEFA e a um “pequeno grupo de líderes privilegiados”
As polémicas declarações de Aleksander Čeferin​, presidente da FIFA, sobre o alargamento da competição para 48 seleções, valeram uma resposta em uníssimo das federação de futebol de Cabo Verde, Curaçau, Uzbequistão, RDC, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul.
Em causa está uma entrevista dada na Eslovénia, na qual terá alegadamente classificado muitos jogos do Mundial como  “desinteressantes”.
As 13 federações expressaram uma “profunda decepção após as recentes declarações do presidente da UEFA (…).
“Para os nossos países, não existe jogo insignificante da Copa do Mundo da FIFA. Para os nossos países, a qualificação para o Mundial da FIFA representa uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações. Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente decepcionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e torcedores em todo o mundo. Por trás de cada qualificação, existem anos de trabalho árduo e investimento. Por trás de cada seleção nacional, existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que veem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união.
E remataram, declarando que todas as nações que se qualificam “merecem respeito”: “O futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados. A sua força reside na sua universalidade. A Copa do Mundo da FIFA é a maior competição de futebol do mundo justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajetórias no futebol. Para muitos países, a participação na Copa do Mundo da FIFA não é apenas uma conquista desportiva”.

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