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Token Trust abre mercado de capitais a PME

Token Trust abre mercado de capitais a PME

Pensa em investir em Pequenas e Médias Empresas (PME) e não sabe bem como o fazer? Não se preocupe. Em breve uma solução deve estar disponível no mercado, e com cunho português. É aqui que entra a Token Trust um projeto que foi fundado, em Braga, por Paulo Cardoso Amaral, Patrícia Santos, e Alberto Amaral.
A empresa foi criada partindo de uma convicção. “A tokenização de instrumentos financeiros só faz sentido se democratizar o acesso ao investimento”. Com a Token Trust vai ser possível abrir o mercado [de capitais] a empresas mais pequenas. “O mercado de capitais tem estado fechado à maioria das empresas”, refere Paulo Cardoso Amaral, em entrevista ao Jornal Económico (JE).
A tokenização nada mais é do que o processo que permite transformar ativos tradicionais em representações digitais, tornando-os “mais eficientes, transparentes e fáceis” de transacionar. “Cada token corresponde a uma fração ou à totalidade da propriedade ou direitos económicos sobre o ativo subjacente, registado de forma segura numa Distributed Ledger Technology (DLT)”, descreve a consultora PwC.
A PwC projeta que se atinja 715 mil milhões de dólares (616 milhões de euros à taxa de câmbio atual) em ativos tokenizados até 2030 e um potencial de redução entre 30–50% dos custos operacionais.
Durante o congresso da APDC, Paulo Cardoso Amaral explicou um dos problemas que as empresas enfrentam no que ao investimento diz respeito. “O problema que nos propomos a resolver é antigo e preciso: 99% das empresas
europeias estão excluídas do mercado de capitais. Não por falta de procura. Não por regulação. Por arquitetura — uma cadeia de intermediários com custos fixos que tornam economicamente inviável qualquer emissão abaixo dos 10 milhões de euros. Uma empresa portuguesa sólida que quer captar dois milhões de euros para crescer enfrenta exatamente a mesma estrutura de custos que uma emissão de 500 milhões. O resultado: fica de fora”, descreveu o projeto nascido em Braga.
“Não é uma falha de mercado. É uma limitação do sistema. E pela primeira vez é possível eliminar a causa — não o
sintoma”, disse Paulo Cardoso do Amaral no congresso da APDC.
A Token Trust desenvolve uma plataforma que vai integrar num único sistema funções que hoje necessitam de três: emissão, negociação e liquidação de valores mobiliários. “A liquidação passa de dois dias para segundos — com transferência simultânea do ativo e do pagamento, sem risco de falha entre as duas pontas da transação”, salienta.
Os instrumentos serão regulados (obrigações e fundos de investimento) ao abrigo da MiFID II [Diretiva sobre Mercados de Instrumentos Financeiros], sob supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Empresa aguarda licença da ESMA
A empresa já está licenciada na CMVM mas para operar precisar da licença da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). “Isso deve acontecer nos próximos meses”, refere Paulo Amaral. A expetativa de é que o processo esteja finalizado em 2026 permitindo à empresa operar ainda este ano.
O processo junto da CMVM “cobre simultaneamente a operação como infraestrutura de mercado DLT (Distributed Ledger Technology) e como empresa de investimento”, salienta a Token Trust.
“É em tempo real, dá colaterização automática, abre o mercado de capitais às PME, e acesso a mercados secundários”, diz Paulo Cardoso Amaral sobre as vantagens da Token Trust.
Paulo Cardoso Amaral adianta que através da Token Trust serão vendidos produtos financeiros “cumprindo as regras” e dando “todas as garantias” aos clientes.
“Nós mantemos a propriedade de todos os ativos nas mãos dos investidores. Isto é uma novidade. Isto dá uma segurança que a tecnologia hoje não dá. [Os ativos] estão na wallet [carteira digital] da pessoa”, acrescenta.

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