Um ranking muito fora da caixa
Não mede os salários dos antigos alunos, nem o número de publicações científicas. Não apura os rácios de professores estrangeiros ou da igualdade de género.
O World University Rankings for Innovation, mais conhecido por WURI, afere a inovação, avalia o contributo das instituições de ensino superior e dos seus programas pedagógicos inovadores para a sociedade e a economia. Não por acaso também lhe chamam o ranking do impacto real. A classificação é feita pelos pares, através de um processo cego, dizem-nos, composto por um painel de juízes que usa três critérios: inovação, implementação e impacto.
Todo este arrazoado vem a propósito de este ano o WURI destacar um nome que a nós portugueses é familiar: 42.
A 42 é terceira no World University Rankings for Innovation 2026 à frente, por exemplo, da Universidade da Pensilvânia, uma das oito da Ivy League norte-americana, do MIT ou da não menos prestigiada Universidade de Stanford. A 42 é o mais próximo que Portugal tem na lista, uma vez que não há qualquer outra instituição nacional na classificação geral.
Criada em França em 2013, onde tem o estatuto jurídico de universidade, a 42 chegou a Portugal em 2020 pelas mãos de Pedro Santa Clara, um visionário da educação, com carreira académica (é professor catedrático) na ortodoxa área de Finanças.
Que razões explicam este destaque? – perguntamos-lhe.
“No outro dia, estava a falar com quatro alunos: um era meteorologista, outro ladrilhador, outro padeiro e outro músico. Isto não existe em lado nenhum, em nenhuma outra escola portuguesa”.
“Isto” chama-se inclusão. A 42 é um caso de mobilidade social, o que ajuda a explicar este lugar ao sol.
Tão importante ou mais é o seu modelo de aprendizagem assente em desafios e na colaboração entre os alunos. A pedagogia peer-to-peer, seguida na escola de programação de vanguarda, está baseada em projetos e na correção entre pares. Sem professores ou salas de aula. O modelo funciona por gamificação e os campus estão abertos 24 horas por dia, sete dias por semana, o que permite a cada estudante aprender ao seu próprio ritmo. É assim em toda a rede.
O impacto alcançado é outra razão. Em cinco anos, orgulha-se: “passámos a ser a maior escola de engenharia de software em Portugal, maiores do que Engenharia Informática no Técnico ou na FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)”.
A 42 é com as universidades norte-americanas Minerva e Arizona State (as duas primeiras do ranking WURI 2026) o rosto topo da inovação pedagógica no mundo.
Pedro Santa Clara elege a inovação como o maior desafio que a Universidade (lato sensu) enfrenta. “Temos instituições do século XIX a tentar preparar as pessoas do século XXI”, disse, num fórum recente do Jornal Económico em que destapou o problema. “Provavelmente, nos próximos cinco anos temos que dar formação a 1,5 milhões de pessoas empregadas, incluindo utilização de ferramentas de IA e nenhuma instituição de educação está pronta para esse desafio”.
Saiam da torre de Marfim, o futuro é já hoje!
Publicado na edição do Jornal Económico de 15 de Maio de 2026
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