Banqueiros centrais regressam a Sintra para 12º Fórum do BCE
Os banqueiros dos maiores bancos centrais do mundo ocidental reúnem-se novamente em Sintra esta semana, onde irão debater inovação, migrações, ciclos monetários e, mais uma vez, o crescimento e a produtividade europeia – um tema recorrente do simpósio organizado pelo Banco Central Europeu (BCE) no verão. De destacar também a estreia de Kevin Warsh, novo presidente da Reserva Federal, nestes eventos, ele que prometeu uma revolução na autoridade monetária norte-americana.
O Fórum do BCE arranca formalmente na segunda-feira com um jantar de receção aos convidados, mas a partir de terça-feira é que Sintra verá um conjunto de debates, discursos, atribuições de prémios e apresentações de papers que reunirá a atenção do sector financeiro e monetário europeu – e não só. Com o tema “Moldando o Futuro da Europa: inovação, crescimento e estabilidade”, o Fórum termina depois na quarta-feira, dia 1 de julho.
Será o 12º ano do evento em Portugal, depois de Mario Draghi, antigo líder do BCE, ter sugerido a sua realização em 2014, ao jeito do que já era feito do outro lado do Atlântico pela Fed com o simpósio de verão em Jackson Hole, no Wyoming.
Como de costume, os principais banqueiros marcarão presença, com a presidente do BCE, Christine Lagarde, à cabeça. Além dos discursos de abertura e encerramento, a líder do banco marcará presença no também já habitual painel com alguns dos seus homólogos mais relevantes, que fecha a programação de debates desta edição.
Repetindo a presença do ano passado estará Andrew Bailey, presidente do Banco de Inglaterra (BoE). Mas há novidades em relação ao painel do ano passado: por um lado, o governador Ueda Kazuo, do Banco do Japão (BoJ), será substituído pelo governador canadiano Tiff Macklem; por outro, o presidente da Reserva Federal dos EUA mudou, pelo que não será Jerome Powell a comparecer, mas sim Kevin Warsh.
Warsh reúne, de resto, alguma da atenção mediática dada precisamente a sua estreia nestes palcos, bem como a forma como se apresentou na primeira reunião de política monetária do banco central, em que prometeu um forte abanão na forma de operar da Fed. O novo presidente quer uma comunicação mais simples e concisa, não vai dar mais forward guidance e anunciou cinco task-forces para reverem de forma ampla os procedimentos do banco central.
Warsh sugeriu também que o objetivo de 2% para a inflação no médio prazo faria parte desta revisão, sinalizando que a Fed poderia passar a focar-se num intervalo como objetivo, em vez de leituras pontuais.
Recorde-se que, ao contrário do BCE, que subiu os juros em 25 pontos base (pb) na mais recente reunião, tanto a Fed, como o BoE mantiveram as taxas de referência inalteradas, embora estivessem, em ambos os casos, em valores consideravelmente acima do registado na moeda única. Os juros diretores para a zona euro ficaram em 2,4% após a subida, enquanto nos EUA o intervalo de referência está entre 3,5% e 3,75% e no Reino Unido em 3,75%.
No que respeita aos painéis, nota para o referente a ‘inteligência artificial e estabilidade financeira’, que contará com moderação de Isabel Schnabel, uma das representantes mais hawkish do BCE e que tem vindo a ser apontada como potencial sucessora de Lagarde, e para o que abordará o ‘papel da Europa no novo paradigma de comércio global’.
Destaque ainda para as apresentações sobre ‘inovação versus difusão’, que abre o primeiro dia completo de trabalhos, ‘ciclos regulatórios e riscos de estabilidade’, e ‘migrações e impacto para a produtividade europeia’, todas associadas a papers de economistas de algumas das faculdades mais prestigiadas do mundo.
Além dos debates, o BCE irá entregar o prémio para Economista Jovem do ano, que tem associado dez mil euros.
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