Especialistas apontam arrendamento como “o grande pilar que faz falta ao mercado”
“O mercado de arrendamento é visto como uma das principais soluções numa altura em que o país vive uma crise de habitação. Contudo, é necessário criar condições de confiança para inquilinos e proprietários. Esta foi uma das mensagens transmitidas pelos especialistas no painel ‘Novo pacote fiscal & Arrendamento – A oportunidade de negócio para a mediação!’, inserido na convenção da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que decorre esta terça-feira, no Centro de Congressos do Estoril.
“O arrendamento é o grande pilar que faz falta no mercado. Temos um mercado que carece de rendas acessíveis”, afirmou Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, sublinhando que não acredita em pactos de regime porque estes são voláteis. “Se de hoje para amanhã o Governo alterar as medidas e elas forem piores para os proprietários, eles têm o dever de ser indemnizados”, frisou.
Por sua vez, a economista Vera Gouveia Barros, recordou que o arrendamento surgiu muito associado à crise e intervenção da troika no país, realçando que é importante haver um mercado de arrendamento que funcione.
“Deve ser dirigido a quem preferir seguir essa via, como por exemplo, a pessoas em início de vida, que entraram no mercado de trabalho, com mobilidade de aceitarem desafios onde eles apareçam”, afirmou.
Sobre as medidas do Governo reiterou que para este segmento ao longo dos últimos anos os preços no mercado de arrendamento subiram, mesmo mantendo a fiscalidade inalterada. “E isso não foi suficiente para trazer mais casas para o mercado”, realçou.
Já Paulo Caiado, vice-presidente da APEMIP considerou que a segurança é o principal fator quando alguém procura uma casa para arrendar e que a restituição do imóvel é fundamental para devolver confiança ao mercado.
“Se porventura aquele contrato não corre bem, o proprietário tem a sua casa de volta. É um absurdo em 2026 usar expressões como despejo ou senhorio. São expressões medievais. Nenhum proprietário quer despejar um inquilino como se fosse um balde de água”, sublinhou.
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