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Filantropia enfrenta fragilidades estruturais que “restringem o seu potencial transformador”, aponta estudo

Filantropia enfrenta fragilidades estruturais que “restringem o seu potencial transformador”, aponta estudo

O estudo “Filantropia Estratégica: Caminhos para a Mudança Sistémica”, promovido pela Rede Capital Social (RCS) em parceria com a PwC Portugal e a The Equator Company, alerta para bloqueios estruturais que limitam a capacidade de as organizações sociais e respetivos financiadores gerarem impacto sustentado.
De acordo com o relatório, apesar de existir um “alinhamento em torno da necessidade de evolução do ecossistema”, é possível identificar “falhas de desenho, coordenação e previsibilidade que continuam a travar a escala e a eficácia da intervenção filantrópica”.
“A pesquisa demonstra, com base em evidência robusta, que existe hoje maior abertura à evolução da filantropia em Portugal, mas também que persistem limitações estruturais que restringem o seu potencial transformador. O desafio já não passa apenas por mobilizar mais recursos, mas por criar condições que reforcem a articulação entre financiadores, organizações sociais e políticas públicas, através de modelos mais previsíveis, estratégicos e orientados para impacto sustentável a longo prazo”, explica Inês Sequeira, cofundadora e CEO da Rede Capital Social, citada em comunicado.
O diagnóstico feito a partir de inquéritos realizados a financiadores e organizações sociais entre janeiro e abril de 2026 permitiu constatar que a “filantropia privada assume um papel relevante, mas continua a operar num sistema cuja sustentação estrutural assenta maioritariamente no Estado”. “Neste contexto, o contributo filantrópico pode gerar valor adicional, o que exigirá um ecossistema mais coerente, previsível e articulado”, lê-se num comunicado emitido a propósito do estudo.
Segundo a RCS, entre 50% e 70% das receitas das organizações sociais são provenientes de financiamento público.
O mesmo estudo permitiu apurar que os financiadores e organizações sociais estão alinhados quanto às prioritárias de atuação: educação, combate à exclusão social e saúde. “No entanto, essa convergência temática não garante alinhamento operacional. Em muitos casos, os mecanismos de apoio continuam assentes em critérios rígidos e lógicas de projeto, levando as organizações a adaptarem-se às condições de financiamento, em vez de estruturarem a resposta a partir das necessidades identificadas no terreno”, alerta a RCS.

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