Médio Oriente: Estados Unidos e Irão tentam desbloquear negociações
Os Estados Unidos e o Irão concordaram em cessar os ataques mútuos que marcaram o fim-de-semana e aceitaram realizar negociações esta semana na capital do Qatar. Steve Witkoff e Jared Kushner estarão já na capital, Doha, segundo adianta a imprensa norte-americana. Em apenas 11 dias, os recontros do passado fim-de-semana colocaram em causa o frágil acordo e as consequentes negociações – ao mesmo tempo que o Estreito de Ormuz entrava novamente em stress. A próxima ronda de negociações incidirá precisamente sobre aquela via marítima – que chegou ao ponto de ser dividida em duas partes: o lado sul, que os Estados Unidos aconselham a que seja usada por quem quer passar o estreito; e o lado norte, mais próximo do território do Irão, considerado mais perigoso. O novo encontro entre as duas partes está, em princípio, marcado para esta terça-feira.
Para todos os efeitos, a situação veio na prática voltar a fechar o Estreito de Ormuz à navegação. Ao mesmo tempo, o reacender dos ataques – e as ameaças verbais de cada um dos lados – vieram colocar a hipótese de as negociações deixarem de fazer sentido. Mas, aparentemente, Teerão e Washington convergem na necessidade de acabar com a guerra. “Decidimos interromper toda a atividade de guerra”, disse um funcionário norte-americano citado pela ‘Axios’. A mesma fonte da administração Trump afirmou que “os navios podem movimentar-se livremente”, visto que as conversas técnicas devem continuar. Nos últimos dias, entre 30 a 50 navios têm tentado a sua sorte no estreito – muito menos que a média de 120 navios que se registava antes de 28 de fevereiro.
Durante as negociações na Suíça na semana passada, a delegação norte-americana – então chefiada pelo vice-presidente JD Vance – concordou com o Irão em estabelecer uma ‘linha direta’ entre os militares dos Estados Unidos e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o comando militar do Irão, para coordenar o tráfego no estreito. Desgraçadamente, no passado sábado, a linha direta ainda não estava operacional.
A primeira reunião de Steve Witkoff e Jared Kushner será mantida com o emir do Qatar, o primeiro-ministro e outras autoridades do país para discutirem o acordo com o Irão. Ao final de segunda-feira, ainda não era absolutamente certo que Witkoff e Kushner se vão encontrar com algum oficial iraniano. O chefe da equipa técnica dos EUA, Nick Stewart, e o seu homólogo iraniano, Kazem Gharibabadi, reunirão separadamente com os mediadores do Qatar e do Paquistão.
Do lado do Irão, e segundo a imprensa do país, Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, reuniu-se esta segunda-feira com o embaixador itinerante de Omã, Abdulaziz Al Hinai. Durante a reunião, analisaram questões relativas ao Estreito de Ormuz e trocaram opiniões sobre a sua gestão futura. As discussões foram pautadas pelo Parágrafo 5 do Memorando de Entendimento de Islamabad e pelos direitos soberanos dos estados marítimos, acrescentou Gharibabadi, citado pelas mesmas fontes.
Os dois países concordaram em prosseguir com as discussões sobre o assunto por via de um comité conjunto estabelecido pelos dois ministérios das Relações Exteriores. O comité tem como objetivo chegar a um consenso sobre a futura governação da navegação no estreito, incluindo a prestação de serviços e os custos associados, “em conformidade com os padrões internacionais”.
Entretanto, no Líbano
Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou esta segunda-feira que Telavive “não tem ambições territoriais no Líbano”, mas que as Forças de Defesa de Israel (IDF) não recuarão “um milímetro” até que o Hezbollah seja desarmado. Os comentários de Katz surgiram no mesmo dia em que o chefe do Comando Central dos Estados Unidos reuniu com o presidente e o chefe militar do Líbano, na sequência da assinatura entre Telavive e Beirute de um acordo-quadro com o objetivo de colocar um fim ao conflito.
O acordo compromete o Líbano a restaurar a soberania sobre o seu território por via do “desarmamento verificado de grupos armados não estatais e o desmantelamento da infraestrutura associada”, possibilitando uma retirada israelita progressiva, de acordo com o texto divulgado pelo Departamento de Estado israelita.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou também esta segunda-feira que o exército libanês planeia mobilizar-se até a fronteira com Israel para expulsar as milícias do Hezbollah.
Mas, entretanto, Israel voltou a atacar alvos do Hezbollah no sul do Líbano durante a noite de segunda-feira, numa ação que, segundo o governo israelita, foi uma resposta aos ataques do grupo terrorista contra as suas forças na região.
Petróleo aguanta-se
Entretanto, ao final da tarde desta segunda-feira, o preço do petróleo brent estava nos 73,01 dólares por barril, muito pouco acima do fecho da sexta-feira anterior (72.75 dólares). Ao longo do dia, o petróleo brent oscilou entre os 71,99 e os 73,52 dólares por barril, enquanto o petróleo WTI esteve mais estável, entre os 69,23 e os 69,46 dólares por barril.
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