Portugal deve continuar a atrair nómadas digitais diz Nouriel Roubini
O economista Nouriel Roubini, que previu a crise financeira de 2008, acredita que Portugal deve continuar a atrair nómadas digitais, mas as consequências, como o aumento dos preços da habitação, devem ser combatidas com impostos e a sua distribuição.
Roubini falou à margem na cerimónia de abertura da 19.ª edição do QSP Summit, no Porto.
“Durante a Covid-19, muitos nómadas digitais vieram para Portugal, porque é um lugar que tem uma qualidade de vida boa, as coisas são baratas e pode-se trabalhar e fazer negócio sem muitas restrições”, lembrou, apontando que isso traz “muito capital humano para Portugal”.
Segundo o economista, “esses talentos vão criar empregos, vão criar rendimento, vão criar oportunidades económicas, vão transferir tecnologias”.
Roubini reconhece, no entanto, que pode haver efeitos negativos para as populações locais, como o aumento dos preços da habitação, mas rejeita restrições à imigração, sobretudo deste tipo de trabalhadores.
“As pessoas preocupam-se se as rendas vão subir, com a pressão em recursos públicos ou serviços, ou os preços das casas. Mas, em primeiro lugar, os proprietários de casas estão a ter um ganho de capital positivo. Os jovens talvez tenham dificuldade em comprar casas, mas a política certa não é bloquear os imigrantes, os que trazem tecnologia e conhecimento”, destacou.
Para Roubini “é preciso atraí-los e, se há consequências, aplicam-se impostos e redistribui-se [o dinheiro desses impostos] para aqueles que estão a ser deixados para trás”.
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