BCE admite elevar reservas mínimas dos bancos para 2% para mitigar perdas
O Banco Central Europeu (BCE) está a ponderar duplicar o rácio de reservas mínimas obrigatórias que os bancos da zona euro têm de manter junto da instituição liderada por Christine Lagarde, de 1% para 2%, numa medida que poderá reduzir os custos suportados pelo banco central com o pagamento de juros e atenuar alguns dos efeitos colaterais da política monetária restritiva, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Os bancos da zona euro são obrigados a manter uma parte dos seus depósitos sob a forma de reservas mínimas no BCE. Atualmente, esse rácio é de 1%. A proposta em discussão, segundo a Reuters, consiste em elevar esse requisito para 2%. A diferença importante é que estas reservas não são remuneradas. Ou seja quanto maior for a parcela de dinheiro que os bancos têm de manter sem juros menor será o montante sobre o qual o BCE paga juros às instituições financeiras, consequentemente, diminuem os custos do BCE e as perdas que tem registado desde que aumentou as taxas de juro para combater a inflação.
Em termos simples, o BCE deixaria de pagar juros sobre uma fatia maior dos fundos dos bancos, reduzindo a sua fatura financeira.
De acordo com seis fontes citadas pela agência, a proposta está a ser discutida entre responsáveis do BCE e prevê aumentar a percentagem de depósitos de clientes e de algumas outras formas de financiamento que as instituições financeiras são obrigadas a manter em contas de reservas não remuneradas.
A alteração permitiria reduzir a despesa do BCE com o pagamento de juros sobre as reservas excedentárias, acumuladas pelos bancos durante anos de programas de compra de ativos, cujos custos aumentaram significativamente com a subida das taxas de juro para combater a inflação.
Segundo as mesmas fontes, a proposta ainda não foi formalmente discutida pelo Conselho do BCE, mas uma decisão poderá ser tomada até ao outono.
O requisito de reservas mínimas foi reduzido de 2% para 1% em 2012, numa altura em que a instituição procurava apoiar o crédito e a atividade económica na sequência da crise da dívida soberana.
O BCE não comentou a informação.
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