Capitalização bolsista do PSI cresce 21% para 82,4 mil milhões e short-selling aumentou em 2025
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou hoje o seu “Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários 2025”, que revela um ano de forte desempenho para os mercados financeiros nacionais, superando vários índices internacionais apesar do contexto de incerteza geopolítica e económica global.
O relatório destaca que, no plano internacional, os principais índices registaram ganhos significativos. O S&P 500 subiu 17,9%, o Stoxx 600 avançou 20,7% e o MSCI ACWI registou um aumento de 21,6%. Este desempenho ocorreu num ambiente de inflação em queda — 2,1% na zona euro e 2,7% nos EUA — e de descidas das taxas de juro pelos bancos centrais.
Em Portugal, o mercado acionista nacional destacou-se com uma valorização de 35,5% (incluindo dividendos), superando claramente os pares internacionais. A capitalização bolsista do PSI atingiu 82.431 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20,6% face a 2024.
Entre as principais cotadas, registaram-se subidas expressivas do Millennium BCP (+88,9%), Sonae (+76,4%) e Mota-Engil (+69,8%).
Destaque para o caso da Teixeira Duarte, que, após a entrada no PSI, viu a sua capitalização disparar 705%.
Em sentido inverso, a Corticeira Amorim viu a sua capitalização bolsista recuar para 879 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição homóloga de 17,9%
Em 2025, não foram admitidos no mercado acionista regulamentado novos emitentes (Euronext Lisbon).
O valor negociado no mercado regulamentado da Euronext Lisbon aumentou 13,7%, totalizando 42.925 milhões de euros. O segmento de ações, que representa 99,6% da atividade, cresceu 31,7%, enquanto as obrigações subiram 18,3%.
“O valor transacionado respeitante aos emitentes constituintes do PSI cresceu 33,9%, atingindo 41 095 milhões de euros. O Bid-Ask spread permaneceu inalterado face ao período homólogo, enquanto o turnover ratio denota uma subida de 3,2 p.p.”, lê-se no relatório.
No mercado de obrigações, o montante total admitido à negociação atingiu os 2.974 milhões de euros em 2025, divididos por obrigações ordinárias (105 milhões de euros) as quais integraram um novo emissor, obrigações ligadas à sustentabilidade (95 milhões de euros) e obrigações titularizadas (2.774 milhões de euros).
O mercado de dívida pública revelou-se especialmente dinâmico, com a plataforma MTS Portugal a registar um aumento de 439,7% nos valores transacionados ao período homólogo. Os valores transacionados de bilhetes do Tesouro e obrigações do Tesouro cresceram 529,6% e 249,8% respetivamente
No capítulo dos derivados do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL), o volume negociado disparou 109,9%, atingindo 18.540 GWh no mercado a prazo. A média diária passou de 34.469 MWh em 2024 para 72.995 MWh em 2025. Os preços de referência subiram 3,5%, com a negociação concentrada em contratos anuais e trimestrais. O número de membros do mercado aumentou de 78 para 91, embora a concentração da negociação pelos cinco principais participantes se tenha situado em 74%.
O setor da gestão de ativos também apresentou uma evolução positiva, com o valor sob gestão a crescer 12% para 97,8 mil milhões de euros. Os Organismos de Investimento Coletivo em Valores Mobiliários (OICVM), ou seja, fundos de investimento, nacionais e os Organismos de Investimento Imobiliário (fundos de investimento imobiliário) foram os principais motores, com aumentos de 24,2% e 17%, respetivamente.
O capital de risco manteve a trajetória de expansão, com mais 8,9% no valor gerido, segundo o relatório.
Na intermediação financeira, registou-se uma diminuição de 10,3% no total de ordens (para 2.781.376 milhões de euros), influenciada sobretudo pela quebra no mercado a prazo. Os investidores profissionais não residentes continuaram a dominar (72,5% das ordens no mercado a contado), com ênfase em dívida pública, ações e dívida privada. A negociação por conta própria caiu 17,7%, enquanto o registo e depósito de valores mobiliários registou um aumento de 6,6%.
Aumento da atividade de short selling
Segundo o relatório, a atividade de short selling sobre os emitentes constituintes do PSI aumentou em 2025, situando-se em 1,62% do market cap ponderado das ações com posições curtas. Este valor encontra-se acima da média histórica (1,09%), tendo atingido o máximo em fevereiro de 2025 (1,82%).
Esta subida reflete um maior ceticismo seletivo de investidores (sobretudo profissionais não residentes, que dominaram 72,5% das ordens no mercado a contado), mesmo num ano de forte apreciação bolsista.
Dados recentes do mercado (final de 2025) revelam que várias emitentes do PSI foram alvo de posições relevantes de short selling (vendas a descoberto superiores a 0,5% do capital). Em novembro de 2025, destacavam-se Mota-Engil (2,36%), Galp (1,39%), NOS (1,19%), Millennium BCP (1,1%) e Altri (0,6%). Estas posições foram maioritariamente constituídas nos meses finais do ano.
A presença de shorts em blue chips como BCP e Galp indica apostas contra parte da subida ou cobertura de carteiras, mas não comprometeu o desempenho positivo anual destas cotadas.
As ordens totais na intermediação financeira caíram 10,3%, com predominância de forwards e ativos subjacentes em taxas de câmbio e juro. A negociação por conta própria recuou 17,7%.
No geral, o Relatório da CMVM retrata 2025 como um ano de evolução robusta e positiva para os mercados portugueses, com ganhos significativos na bolsa, nos derivados energéticos e na indústria de gestão de ativos, apesar de uma maior presença de posições vendidas a descoberto que não impediram o bom desempenho anual do PSI.
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