Empresa portuguesa detida pelo grupo criminoso brasileiro PCC alvo de sanções dos EUA
O governo norte-americano aplicou hoje sanções à empresa portuguesa Avenidas Flutuantes, duas empresas brasileiras e pessoas com elas relacionadas por ligações “ao maior grupo criminoso da América Latina”, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.
“O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, uma vez que os seus membros em todo o território dos Estados Unidos, particularmente na Flórida, branqueiam rendimentos provenientes do tráfico de droga e contribuem para um ciclo de criminalidade”, lê-se no comunicado hoje divulgado pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA, semelhante ao ministério das Finanças nos governos europeus.
No texto, anuncia que sancionou a Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, uma empresa de transportes e armazenagem com sede em Setúbal, que terá como dono Victor Henrique de Oliveira Shimada, residente em São Paulo, acusado de receber “fundos ilícitos gerados nos Estados Unidos e branquear esses fundos para o PCC no Brasil”.
O governo norte-americano aplica também sanções a Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, funcionária e parente de Shimada, e às empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos Lda (Pixwave) e Wave Construções Inteligentes Lda (Wave), todas sediadas em São Paulo, no Brasil.
Devido às sanções, as pessoas e as empresas citadas terão as suas contas e operações nos Estados Unidos bloqueadas, passando a haver a obrigatoriedade de informação às autoridades por parte dos parceiros de negócios.
“O PCC é atualmente a maior organização criminosa transnacional (TCO) do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu as suas operações a nível global, com presença significativa em países como o Reino Unido, a Turquia e o Japão”, diz o Departamento do Tesouro, apontando para operações de branqueamento de capitais no valor de mais de 190 milhões de dólares, cerca de 166 milhões de euros, ao longo de sete meses.
A iniciativa de hoje, salienta ainda o governo norte-americano, é mais um passo contra as operações do PCC nos Estados Unidos, e contra Shimada, descrito como “um elo crucial entre os operacionais do PCC sediados na Flórida e os traficantes de droga estrangeiros”, tendo lavado “mais de 30 milhões de dólares [26,7 milhões de euros] em receitas ilícitas geradas em várias cidades dos Estados Unidos e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta para o Brasil em nome do PCC”.
Em janeiro de 2025, Shimada chegou a estar em prisão domiciliária no Brasil porque uma das suas empresas, a Victory Trading, foi utilizada para branquear dinheiro roubado a um clube de futebol brasileiro, no âmbito de um esquema de fraude publicitária, lembra-se no comunicado.
Esta é a terceira ação do Executivo norte-americano contra o PCC e os seus membros, depois da designação do PCC como organização criminosa, em dezembro de 2021, e da acusação a Diego Macedo Gonçalves do Carmo, em março de 2024.
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