Swappie fecha 2025 com um EBITDA de 2,5 milhões de euros
A plataforma finlandesa especializada na compra e venda de iPhones recondicionados Swappie fechou 2025 com EBITDA de 2,5 milhões de euros, e aproximadamente 650 mil dispositivos recondicionados vendidos.
Em Portugal o desempenho também foi “bom”, com a empresa a registar uma “rentabilidade dez vezes superior à de 2024”, revelou o CEO, Jussi Lystimäki, em entrevista ao Jornal Económico.
O CEO refere que a quota de receita proveniente de compradores recorrentes cresceu quase 20%, “o que significa que os consumidores portugueses não só experimentaram como voltaram a confiar na Swappie para adquirir novos aparelhos”, explicou.
Para este ano, as perspetivas da empresa são “muito positivas”, com a plataforma a encontrar-se numa fase de “consolidação operacional” a nível global. Já para Portugal, os objetivos são tornar os recondicionados “uma escolha verdadeiramente mainstream”, indicou.
“Acreditamos que Portugal tem condições para acompanhar de perto os mercados europeus mais maduros, e os dados de 2025 reforçam essa convicção”, salientou.
Para atingir este objetivo a plataforma já ampliou o seu portfólio, com o lançamento dos AirPods, e pretende continuar a avançar com novas categorias este ano.
Entre todos os mercados da empresa, o nacional é o que lidera o valor médio de encomendas, tendo registado um crescimento de 6% face ao período homólogo.
Estes dados revelam que Portugal não está a ter um “interesse passageiros”, mas sim “uma mudança de comportamento consistente e gradual”, diz Jussi Lystimäki. “Portugal está agora numa trajetória que já vimos noutros mercados europeus mais maduros. À medida que a literacia sobre recondicionamento profissional cresce e que os consumidores percebem a diferença real entre um equipamento “usado” e um equipamento verdadeiramente recondicionado com garantia e certificação, a adoção acelera de forma natural”, apontou.
Perante estes resultados o mercado nacional é um mercado de “referência” dentro da operação europeia da empresa, contudo a estratégia da empresa em Portugal não se “esgota do lado da compra”, diz Lystimäki. “Há uma dimensão igualmente importante, que é a de mobilizar os equipamentos que estão parados em casa dos consumidores”, referiu.
Em comparação com 2023, o volume de pesquisas nesta plataforma apresentou um crescimento de mais de 23%, o que indica que o comportamento dos utilizadores está a “mudar”, sendo a economia circular uma opção.
Esta é uma economia que, no setor tecnológico, está “num ponto de viragem”. “Durante anos, o recondicionado foi visto como uma alternativa de segunda linha, algo mais acessível face a um equipamento novo. Essa perceção está a mudar de forma muito clara, e a mudança não é superficial”, apontou.
O facto de os preços dos smartphones premium terem subido também contribui para que os consumidores optem por esta via, e consigam poupar entre 25% e 40%.
A sustentabilidade ambiental é outro fator que leva as pessoas a optarem por esta via, uma vez que este setor é responsável por 3% das emissões globais de carbono. Em 2025, quase 250 mil pessoas venderam os seus telemóveis à plataforma, a nível global.
Os dados disponíveis sobre o impacto ambiental desta economia mostram que em 2024, mais de dois milhões de clientes europeus ajudaram a evitar a emissão de mais de 123 mil toneladas de dióxido de carbono.
Em Portugal, os dados disponíveis revelam que o mercado de recondicionados já conquistou cerca de 66% dos consumidores, e que 89% equacionam comprar artigos recondicionados no futuro.
Apesar da circularidade neste setor estar a ser bem recebida, a plataforma ainda continua a deparar-se com alguns desafios, entre os quais o desconhecimento entre o recondicionado e o usado. “São conceitos completamente diferentes, mas durante muito tempo foram confundidos, e isso prejudicou o mercado”, indicou.
“Um equipamento comprado entre particulares não tem verificação técnica independente, não tem garantia e o comprador não sabe exatamente o que está a receber. Um equipamento recondicionado pela Swappie passou por vários testes específicos e rigorosos, por substituição de componentes sempre que necessário e chega ao consumidor com garantia de 24 meses e classificação estética transparente”, explicou.
Outro desafio, mas do lado da oferta, é mobilizar os milhões de equipamentos que estão parados. “Com mais de 700 milhões de dispositivos em desuso na União Europeia, o potencial é enorme, mas as barreiras também existem: medo de perder dados, desconhecimento do processo de venda, incerteza sobre o valor real do equipamento”, declarou.
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