Zelensky espera avanços na adesão à UE e lembra que houve mesmo com Orbán
O Presidente ucraniano pediu hoje à Irlanda, que preside ao Conselho da União Europeia, que inicie todas as áreas de negociação para a adesão da Ucrânia, afirmando que, apesar do bloqueio húngaro nos últimos anos, “tudo se fez”.
“Nos próximos seis meses, estamos confiantes de que será uma presidência bem-sucedida e contamos com bons resultados, incluindo avanços nos grupos de negociação, com a abertura de cinco áreas” de mercado interno, competitividade, agenda verde, cultura e coesão e relações externas, após o recente arranque das discussões sobre os direitos fundamentais, afirmou Volodymyr Zelensky.
Em conferência de imprensa em Dublin após ter participado na cerimónia de arranque da presidência rotativa do Conselho da UE, ocupada pela Irlanda neste semestre, o Presidente ucraniano recordou que, “mesmo com algumas dificuldades” com o anterior governo de Viktor Orbán na Hungria, que suscitou bloqueios e reservas em algumas decisões da UE, “foi possível avançar e cumprir o necessário”.
“Espero que Peter Magyar [novo primeiro-ministro húngaro] apoie e também espero que o governo da Polónia apoie”, acrescentou Volodymyr Zelensky, numa alusão à disputa histórica antiga que está hoje a causar tensões políticas entre a Ucrânia e a Polónia.
Para o Presidente ucraniano, é importante “ter regras na União Europeia” e “não apenas emoções políticas”, sobretudo se se trata de “vizinhos” como Kiev e Varsóvia.
“Estamos a salvar e defender não só a Ucrânia – claro, em primeiro lugar a Ucrânia -, mas também outros países da Europa. E acho que é importante, é do interesse de todos os países ter a Ucrânia na União Europeia o mais rapidamente possível”, destacou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e, desde então, Kiev tem contado com o apoio militar e financeiro dos aliados, sobretudo da UE.
No seu discurso na cerimónia de abertura da presidência irlandesa da UE, Volodymyr Zelensky havia pedido sanções contra empresas que operam no bloco comunitário e são controladas por oligarcas russos.
Em causa está nomeadamente a refinaria irlandesa Aughinish Alumina, que produz alumina, uma matéria-prima usada para fabricar alumínio.
Várias investigações indicam que uma parte significativa desta produção continua a ser exportada para a Rússia, onde é transformada em alumínio por empresas ligadas ao grupo Rusal, integrando cadeias industriais que podem ter uso também no setor militar.
O produto não está totalmente abrangido pelas sanções da UE, o que permite que este fluxo comercial continue de forma legal.
“Cada tonelada de matérias-primas entregue à Rússia é usada contra nós”, alertou Volodymyr Zelensky.
Ao seu lado, o chefe de Governo irlandês, Micheál Martin, afirmou que estão em curso investigações sobre esta matéria.
“Esperamos que não tenhamos de esperar meses”, comentou Zelensky.
Nestas declarações à imprensa, incluindo a Lusa, o Presidente ucraniano revelou ainda que teria de voltar rapidamente à Ucrânia devido às previsões de ataques aéreos de grandes proporções por parte da Rússia esta noite em território ucraniano.
“Peço à população para hoje ter especial cuidado, se proteger e agir consoante os alarmes aéreos”, adiantou, insistindo que “isto tem de acabar e a Ucrânia está disponível para conversar”.
A Irlanda vai ocupar, até ao final do ano, a presidência rotativa da União Europeia, focada em aprovar mais sanções à Rússia pela guerra da Ucrânia.
Membro da UE desde 1973 e situada no noroeste da Europa, a Irlanda sucede a Chipre (primeiro semestre de 2026) na presidência rotativa do Conselho e será seguida pela Lituânia (primeiro semestre de 2027).
Esta é a oitava presidência irlandesa da UE.
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