PSI brilha em junho e contraria queda tecnológica de Nova Iorque
A praça lisboeta fechou o mês de junho de 2026 em terreno positivo, acumulando uma subida mensal de 0,6% para os 9.132,6 pontos e um crescimento desde o início do ano de 10,5%. Este desempenho permitiu ao índice de referência nacional caminhar em contraciclo com o mercado global (MSCI World), que recuou 0,8% fustigado por um forte sell-off no setor tecnológico em Wall Street, onde o S&P 500 e o NASDAQ cederam à pressão dos investidores após registarem máximos históricos no início do mês.
Enquanto as gigantes tecnológicas norte-americanas sofreram uma forte correção motivada pelas dúvidas dos investidores quanto ao retorno financeiro dos colossais investimentos em Inteligência Artificial, o PSI manteve-se firme na faixa dos 9.000 a 10.000 pontos. Trata-se de um patamar que a bolsa portuguesa não visitava há 18 anos, consolidando um ciclo de recuperação iniciado em 2020.
Ainda assim, os analistas da Maxyield alertam para uma progressiva “perda de gás” no volume de negócios da Euronext Lisboa no segundo trimestre, explicada em parte pela redução da atividade dos investidores institucionais e pelo aumento dos resgates em Fundos de Investimento Mobiliário.
No plano doméstico, o mês foi marcado por uma forte dispersão de performances em bola. Nove cotadas fecharam em queda, seis valorizaram e a EDP Renováveis manteve-se inalterada.
“No mês de Junho de 2026, verifica-se que nove sociedades cotadas do PSI apresentam uma redução de valor, seis sofreram evolução crescente e uma manteve-se constante”
O grande motor de tração mensal pertenceu à Teixeira Duarte, que disparou 22,9%, seguida pela REN (6,6%), BCP (6,4%), Sonae (5,6%) e EDP (4,9%). No polo oposto, a Ibersol liderou as perdas com um tombo de 16,5%, acompanhada pela Semapa (-14,5%) e pela Jerónimo Martins (-7,7%).
Quando analisado o desempenho acumulado desde o início de 2026, a Galp destaca-se como a estrela do índice com uma valorização de 27,4%, contrastando com a derrapagem de 22,1% dos CTT.
As sociedades com variação positiva desde o início do ano foram a Galp (27,4%), a NOS (25,7%), a Sonae (25%), a EDP Renováveis (17,7%), a REN (17,4%), a EDP (17%), o BCP (15,5%), a Altri (5,6%) e a Navigator (2,7%).
As 7 (sete) sociedades com quebra acumulada em 2026 das cotações são os CTT (-22,1%), a Jerónimo Martins (-17,3%), a Teixeira Duarte (-16,8%), a Mota-Engil (-5,7%), a Corticeira Amorim (-3,3%), a Semapa (-2,9%) e a Ibersol (0,5%).
A Maxyield sublinha que se “verifica-se uma evolução robusta do BCP, do sector energético, da Galp, da Sonae e da NOS” e que “as situações mais deprimidas correspondem à Corticeira Amorim, aos CTT e à Jerónimo Martins”.
O sector industrial e as construtoras evidenciam os condicionamentos contextuais, acrescenta.
A evolução dos valores médios diários transacionados mensalmente sofreu uma desaceleração, segundo a análise.
No “2º mercado”, o PSI Geral — que integra empresas de menor capitalização (small caps) — subiu 1,4% em junho, elevando o ganho desde o inicio do ano para uns robustos 14,4%.
A nível mensal, verifica-se que oito sociedades apresentam uma variação negativa, com destaque para as SADs, a Nova Base e a Sonaecom.
No acumulado do ano evidenciam-se a Benfica SAD, a Estoril Sol, a Pharol e a Toyota Caetano.
O PSI Geral engloba o PSI e 15 sociedades cotadas no “2º mercado”, que representam sensivelmente 3% da capitalização bolsista.
Lá fora, o panorama internacional foi misto e dominado por assimetrias macroeconómicas. Na Europa, o STOXX 600 avançou 2,5% e bateu novos máximos no final do mês, superando Nova Iorque e a Ásia, embora o mercado espanhol (IBEX 35) tenha demonstrado uma pujança ainda maior do que o PSI, ao saltar 6% em junho sob o impulso da banca e dos seguros.
Nos Estados Unidos, o tradicional Dow Jones contrariou as tecnológicas e subiu 2,5%, ao passo que as pequenas empresas do Russell 2000 saltaram 3,6%.
Do outro lado do mundo, os mercados asiáticos registaram um crescimento frágil, asfixiados pelo tombo de 9,1% do Hang Seng de Hong Kong, penalizado pela crise imobiliária e pelo fraco consumo na China. Já o índice MSCI Emerging Markets subiu 22,8% no ano, boleado pela alta procura global de semicondutores.
O contexto macroeconómico que moldou este xadrez financeiro incluiu uma mudança de agulha por parte do Banco Central Europeu (BCE), que aumentou as taxas de juro diretoras em 0,25% em junho, interrompendo o ciclo de alívio monetário perante uma inflação na Zona Euro fixada nos 3% (sinal de estagflação).
Com os olhos postos nas decisões das reuniões de julho da Reserva Federal norte-americana e do próprio BCE, os investidores preparam-se agora para a época de apresentação de resultados do primeiro semestre.
Historicamente, o PSI tende a registar uma trajetória suavemente ascendente e de estabilidade no período estival, deixando antever que a praça nacional poderá continuar a defender as suas posições ao longo do verão.
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